Cruzeiro 1 x 0 Sport – Mineiramente

Pequenos passos. Assim o Cruzeiro tem evoluído no Brasileirão, sem entretanto perder o terreno conquistado. Com muitas dificuldades, principalmente ofensivas, o time celeste conseguiu furar o muro duplo do Sport construído pelo ex-técnico azul Vágner Mancini e venceu a segunda partida seguida.

Formações

O 4-2-3-1 do Cruzeiro com Montillo de volta ao meio-campo e Fabinho e Tinga pelos lados, além de Everton na lateral esquerda

O Cruzeiro veio para o jogo com as alterações previstas: Everton ganhou a vaga de Marcelo Oliveira na lateral esquerda, Fabinho barrou Souza e apareceu pela direita ao lado de Montillo, recuado para o meio-campo, no 4-2-3-1 armado por Celso Roth. O Sport veio com a intenção de bloquear os flancos do adversário e se postou num inesperado 4-1-4-1, com Felipe Azevedo sozinho à frente, os meias Thiaguinho e Marquinhos Gabriel fechando pelos lados e Hamilton entre as duas linhas de quatro, com o papel de marcar Montillo – para variar.

Com a bola

O resultado direto foi que Diego Renan, Amaral, Charles e Everton tinha cada um um adversário à frente, com poucos alvos e nenhum espaço para onde destinar o passe: WP ficou mais uma vez trombando com os zagueiros Bruno Aguiar e Edcarlos; Fabinho brigava com o lateral esquerdo Rivaldo e às vezes ganhava, mas pecava no último passe; Tinga se movimentava mais verticalmente do que lateralmente, e não oferecia amplitude pela esquerda, e Montillo tentava fugir de Hamilton se movimentando por todo o campo, mas perdeu o duelo para o camisa 2 do Sport no primeiro tempo. O Cruzeiro sentiu falta de um volante com qualidade de primeiro passe. Na teoria, este homem é Charles, mas o camisa 7 ainda precisa desenvolver mais este fundamento.

Assim, Leo e Mateus trocavam passes até eventualmente tentarem um lançamento longo na direção dos meias abertos ou de WP, mas que quase sempre resultava na concessão da posse de bola. Mesmo assim, o Cruzeiro chegou a criar algumas boas chances, mas pecava no último passe ou na finalização. As duas melhores aconteceram quando houve movimentação: WP saiu do centro e apareceu na esquerda, onde também estava Montillo. Mesmo com o bloqueio de Hamilton, o argentino, de frente para o gol, lançou uma bola profunda para Wellington, mas a finalização de pé esquerdo não saiu boa. Em outro lance, Fabinho saiu do lado direito para jogar nas costas do volante Toby, posicionado na lateral direita, e recebeu uma bola excelente, cruzando rasteiro para Tinga completar à direita do gol de Magrão.

Defendendo

Quando perdia a bola, o Cruzeiro já tentava pressionar o adversário em seu campo. Isso tem acontecido cada vez mais ao longo das partidas, mas ainda há imperfeições. Ainda assim, quando o Sport conseguia sair da pressão sem dar um chutão, devolvendo a posse, ou um passe mais apressado, o Cruzeiro continuava a pressionar no setor para onde a bola se encaminhava. Não me lembro de ter visto nenhuma oportunidade onde os jogadores pernambucanos desfrutavam de um espaço grande para poder pensar o jogo.

Portanto, o primeiro tempo foi um jogo amarrado, com muitos erros de passe de ambas as equipes – 14,3% de passes errados do Cruzeiro contra impressionantes 20,4% do Sport – mas por razões diferentes. O Cruzeiro errou porque faltou mais movimentação na frente, facilitando a marcação das linhas compactas do Sport. E o Sport porque o Cruzeiro exerceu uma marcação pressão intensa, forçando o erro de passe. Outros números que ilustram isto: 4 finalizações do Cruzeiro contra apenas 2 do Sport, todas erradas; e 10 cruzamentos azuis contra 6 rubro-negros, todos errados, de acordo com números da ESPN Brasil.

Segundo tempo

Os técnicos não mudaram suas peças no intervalo, mas uma mudança pôde ser notada: Fabinho estava jogando do outro lado, pela esquerda, trocado com Tinga. Talvez uma tentativa de Roth de forçar em cima de Toby, que não é da posição. O Cruzeiro continuava tentando pressionar no alto do campo, mas já não o fazia com a mesma eficiência — afinal, nem mesmo as melhores equipes do mundo conseguem pressionar alto durante todo o jogo, pois é uma tarefa que exige muito fisicamente.

Mesmo assim, foi o Sport quem criou a primeira grande chance da etapa final, numa jogada rápida pela direita. Sob forte marcação, Montillo perdeu uma bola que sobrou para Marquinhos Paraná. Mateus estava jogando muito avançado e não conseguiu voltar a tempo no passe para Thiaguinho na direita, forçando Leo a ir na cobertura. Mas antes que o zagueiro chegasse, Thiaguinho conseguiu cruzar para a área, onde havia uma situação de dois contra dois. Com a dupla de zaga longe da área, Diego Renan e Amaral recuaram rapidamente e conseguiram impedir a conclusão de Felipe Azevedo, mas Marquinhos Gabriel pegou a sobra e quase fez, não fosse Diego Renan ter se recuperado a tempo e tirar a bola quase em cima da linha fatal.

O Cruzeiro respondeu logo em seguida, com um chute de WP de fora da área para a defesa de Magrão. Era a primeira finalização certa do Cruzeiro no jogo. A partida seguiu na mesma, com o Cruzeiro tendo dificuldades para entrar nos dois muros do Sport, e o time visitante com dificuldade em trocar passes devido à pressão cruzeirense. Num dos poucos vacilos da zaga azul, Marquinhos Paraná deixou Felipe Azevedo na cara do gol, mas ele tinha de passar por Fábio antes. Não conseguiu.

Substituições

Vendo que o Sport começava a querer sair para o jogo, Celso Roth resolveu empurrar o time adversário de volta lançando Anselmo Ramon na vaga de Tinga. Ele entrou na referência, mandando WP para a esquerda. Agora o Cruzeiro tinha dois atacantes abertos, e como no jogo contra o Botafogo, tinha uma opção pela esquerda, já que Tinga pouco apareceu por ali. O Cruzeiro ganhou volume, mas ainda faltava capricho no último passe. Everton começava a aparecer mais, assim como Diego Renan.

Com isso, o Sport recuou naturalmente com a maior presença dos atacantes azuis, e Vágner Mancini promoveu a entrada de Milton Jr. aberto pela direita na vaga de Thiaguinho. A intenção era puxar contra-ataques em velocidade, mas o plano não deu muito certo pois os rebotes ofensivos eram quase sempre celestes. Logo depois da substituição, Everton recebeu uma excelente bola de Anselmo Ramon, fazendo o pivô, invadiu a área e foi tocado. O árbitro marcou o pênalti que WP converteu, fazendo o resultado ficar justo àquela altura do jogo.

Após as alterações, o Cruzeiro espelhou o esquema do adversário, o 4-3-1-2 losango, e fechou os espaços para garantir a vitória

À frente no placar, o Cruzeiro se contentou em esperar um pouco mais o Sport, que naturalmente se soltou um pouco mais – mas não tanto. Everton, lesionado na hora do pênalti, teve de deixar o campo para a entrada de Marcelo Oliveira, mantendo o esquema. No Sport, Rithely saiu para a entrada de Jheimy. Com isso, Felipe Azevedo recuou para o meio-campo para organizar, deixando Jheimy à frente e tendo Milton Jr. aberto pela direita. Talvez uma tentativa de forçar em Marcelo Oliveira, já que Vágner Mancini conhecia muito bem a característica do jogador e que ele não é lateral de ofício. Felizmente, nosso substituto fez um bom jogo defensivo e ainda se arriscou algumas vezes à frente, com segurança.

O Sport seguiu tentando, mas nada produziu, e Mancini lançou sua última cartada: Reinaldo na vaga de Marquinhos Gabriel pela esquerda. O time se postou num 4-3-1-2 losango bem avançado, com a chegada de Reinaldo por um lado e Paraná do outro. Hamilton seguiu mais preso. Celso Roth então respondeu colocando William Magrão pelo lado direito do meio-campo no lugar de Wellington Paulista, efetivamente espelhando a marcação. Agora, William Magrão marcava Reinaldo, Amaral, centralizado, pegava Felipe Azevedo e Charles vigiava Paraná. O jogo terminou com o Sport tendo pouco volume a mais que o Cruzeiro, mas ineficiente.

Conclusão

Depois de quatro rodadas, é possível afirmar que Celso Roth deu um padrão defensivo interessante ao Cruzeiro. Resta ainda arrumar a parte ofensiva, que claramente sofreu ontem com pouca mobilidade e falta de criatividade dos volantes. Ainda gostaria de ver Tinga mais recuado ao lado de Charles ou de Amaral, lançando Everton na meia-esquerda e Marcelo Oliveira na lateral. Ou então inverter Fabinho de lado e dar uma chance ao garoto Élber pela direita.

Mas o mais importante, neste momento, é o emocional. São 8 pontos em 12 disputados, quinta posição: um bom cenário para a volta a BH, que dará ainda mais moral ao time para a vitória contra o Figueirense.

Sábado que vem este blogueiro estará no Independência para a primeira análise in loco. Vamos colocar em prática todos os estudos feitos até agora. Me desejem sorte!

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