Três alternativas para o Superclássico

Depois de muito tempo, o encontro entre Cruzeiro e Atlético Mineiro voltou a ser um clássico: ambos os times bem na tabela (levando em conta o prognóstico de ambos no início do campeonato) e com o rival melhor do que o Cruzeiro após muitos embates em que a situação era invertida. Assim, após ler as notícias de lado a lado na semana inteira, esperando pra saber se Ceará iria ou não para o jogo, quem seria a dupla de zaga e como seria composto o meio-campo cruzeirense, tento apresentar aqui alternativas de Celso Roth para o jogo de domingo.

O time adversário é o de sempre: o mesmo 4-2-3-1 empregado por Cuca desde o início do ano, mas desta vez com peças novas. Victor no gol, Marcos Rocha de volta à lateral direita e Júnior César do lado oposto; Leonardo Silva — o vira-casaca — e Réver no miolo de zaga. À frente, Pierre e Leandro Donizete fazem a dupla volância, atrás de Ronaldinho, o articulador principal e com tendências de cair pela esquerda. Flanqueando-o, Danilinho ou Guilherme pelo lado direito e Bernard pelo esquerdo. À frente, Jô brigando com os zagueiros.

Do nosso lado, Victorino está fora do jogo, Ceará é dúvida e não se sabe quem será escalado na lateral esquerda: Everton ou Diego Renan, dependendo da situação de Ceará. Para a zaga, levando em conta o estilo de Jô, a dupla de zaga ideal seria composta por um zagueiro forte, para marcar diretamente o centro-avante — nesse caso, seria Léo — e um com bom posicionamento de sobra, que seria Victorino. Mas na ausência deste último, Thiago Carvalho deve entrar em seu lugar. Outra opção seria fazer uma zaga com Léo e Donato, mas essa seria uma dupla pesada, correndo riscos contra os rápidos Bernard e Danilinho.

Caso Ceará não possa jogar, duas opções se apresentam. Deslocar Diego Renan para a direita para manter o equilíbrio defesa/ataque por aquele lado, ou destacar Leo para o setor, com a finalidade exclusiva de anular Bernard. Isso faria o Cruzeiro perder ofensividade, mas aumentaria muito o poder de marcação.

E na lateral esquerda, Diego Renan é mais lento que Everton, que se destaca mais no apoio mas não defende tão bem quanto o primeiro. Como Danilinho é menos ofensivo que Bernard, talvez Everton seja a melhor opção.

Como se trata de um clássico, abrirei uma exceção e colocarei os jogadores do time adversário nos diagramas abaixo.

 

Opção 1 – Equilíbrio

Minha alternativa preferida: um 4-2-3-1 com Montillo de ponteiro esquerdo, Tinga se movimentando para opção de passe de segurança, Guerreiro na cola de Ronaldinho e marcação especial do lado direito

A primeira opção é mandar a campo um 4-2-3-1 com Montillo de ponteiro esquerdo, como na partida contra o Palmeiras, que este blogueiro considera ser a melhor do time no certame atual. Naquele jogo, a dupla de volantes era Guerreiro e Charles, ao passo de que nesta deverá ser Guerreiro e Lucas Silva, com uma diferença: contra o time paulista, Guerreiro perseguia Daniel Carvalho, que caía mais pela direita. Contra o rival, Guerreiro será muito provavelmente o marcador de Ronaldinho, que tem uma tendência maior a cair pela esquerda do ataque — direita da defesa adversária.

Colocar Montillo pelo lado esquerdo do meio-campo faz com que o argentino tenha menos marcação, e consiga usar sua melhor arma: o drible. Passando por Marcos Rocha, que fatalmente seria seu marcador, Montillo teria campo livre para cruzar, bater pro gol ou enfiar uma bola para Borges ou quem estiver na área. E Tinga, que já tem tendências centralizadoras, jogando pelo meio, serviria muito mais como um ponto de apoio no meio do pentágono formado pelos volantes, meias abertos e centro-avante, sendo o passe de segurança. O ideal seria ter um meia cadenciador por ali, alguém como Souza, suspenso, ou Roger, já fora do clube, para fazer a bola rodar e inverter as jogadas, mas infelizmente não temos este jogador disponível no elenco para este jogo.

Do outro lado, Fabinho como ponteiro direito teria funções mais defensivas, acompanhando Júnior César e ajudando na marcação ao lado mais forte do Atlético: o esquerdo. Por ali, cairiam Ceará, na sua posição natural e marcando o garoto Bernard; Guerreiro, marcando Ronaldinho quando este pendesse para o lado esquerdo; Lucas Silva ajudando na sobra e Fabinho marcando Júnior César. O meio-campo fica esvaziado, mas Tinga pode recuar e guardar o meio contra os dois volantes do Atlético que não tem tanto poder de ataque assim. O perigo ficaria do outro lado: Montillo teria que recuar acompanhando Marcos Rocha, para evitar que Diego Renan fique no dois contra um contra ele e Danilinho.

 

Opção 2 – Conservadorismo

Um 4-4-1-1 que fecha bem os flancos e aproveita a velocidade de Montillo para contra-atacar; mas perigoso porque chama demais o Atlético com o apoio dos laterais liberado

Outra opção é assumir que o rival vive um momento melhor e se fechar, partindo nos contra-ataques velozes num 4-4-1-1, com Montillo atrás de Borges como únicas peças ofensivas à frente das duas linhas de quatro. A grande vantagem dessa formação é compactar as linhas e tirar o espaço das ações ofensivas adversárias, espanando as bolas para as pontas para Montillo, que tentaria jogar nas costas dos laterais. Assim, Everton à frente de Diego Renan pelo lado esquerdo para fechar o lado direito de ataque do Atlético, e Ceará e Lucas Silva ou Tinga para fechar o lado direito. Sem espaço para articular, os jogadores do Atlético tenderiam a subir cada vez mais, para tentar um abafa, dando ainda mais espaço para Montillo ganhar uma bola rebatida e conduzir até a área adversária em velocidade.

Não é a opção preferida deste blogueiro e muito menos deverá ser a de Celso Roth, pois é muito perigoso chamar o time adversário pra cima, principalmente levando em consideração que o jogo será “em casa”: somente a exigente e mal-acostumada torcida do Cruzeiro estará presente. Jogar recuado contra o Atlético, na cabeça dos torcedores, é assumir a inferioridade diante do maior rival — mesmo que isso seja atualmente um fato — fazendo com que a chance da torcida se virar contra o time seja muito grande.

 

Opção 3 – Ousadia

Ousadia total: jogar sem centro-avantes de ofício, explorando velocidade e posse de bola, com Montillo de “falso nove” e jogadores rápidos pelos lados

A opção mais ousada é usar o que eu chamaria de 4-3-3-0, com dois jogadores rápidos como ponteiros — por exemplo, Wallyson e Fabinho, Montillo por dentro na posição de meia-atacante “falso 9” e ganhar em número do Atlético no meio-campo: 6 jogadores contra 5, ou 4 contra 3 se considerarmos apenas a faixa central. Isso deixaria os zagueiros do Atlético livres, mas sem alvos para direcionar os passes, forçando-os ao passe longo por cima. Com as linhas compactas e menos gente no meio-campo, fica mais difícil ganhar a segunda bola disputada por Jô e os zagueiros ou volantes cruzeirenses, frustrando as ações ofensivas adversárias.

Entretanto, ao recuperar a bola, o trio ofensivo teria que ter muita inteligência tática e técnica para saber se movimentar e dar opções de passe para contornar a dupla de zaga atleticana, o que acredito que os jogadores têm, mas só conseguiriam executar se tiverem confiança, que é uma coisa que me parece em falta atualmente.

 

Mas…

É muito provável que Celso Roth mande a campo um time diferente dos três que postei aqui, mas é certo que Guerreiro será o marcador de Ronaldinho. Resta saber como Montillo será escalado, e de que forma Tinga jogará: se mais recuado, como volante fazendo um tripé — e consequentemente um losango no meio, o que na opinião deste blogueiro seria um suicídio — ou se jogará mais avançado, à frente dos outros dois volantes. O mais provável é que ele mantenha Montillo por dentro e desloque Tinga para o lado, com Fabinho do outro — algo próximo do que foi feito no jogo contra o Sport, mas com os ponteiro invertidos. Lucas Silva deverá ficar mais liberado para se juntar ao ataque, pois os volantes adversários não deverão combatê-lo no alto do campo. Os laterais deverão ficar um pouco mais presos, principalmente o direito, devido à presença de Bernard por ali.

A chave do jogo, entretanto, será Montillo. Se ele jogar por dentro, terá de brigar com Pierre e Leandro Donizete para conseguir encaixar um passe. Se jogar pelo lado, terá somente Marcos Rocha pela frente — teoricamente um jogador com menos poder de marcação que seus companheiros volantes. Além do fato óbvio de ser apenas um jogador contra dois no meio.

Pode ser um jogo amarrado ou solto — depende da estratégia cruzeirense apenas. O outro time, todo mundo sabe como joga.

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