Cruzeiro 2 x 0 Corinthians – Feliz 2013

Em uma partida bem sonolenta, o Cruzeiro conseguiu marcar gols na fraca defesa reserva do Corinthians e ainda contou com a falta de ímpeto do ataque adversário para sair com a vitória. Destaque mais uma vez para Martinuccio, autor de uma assistência e um gol, mostrando que deve ser titular jogando pelo lado do campo.

O 4-3-1-2 losango costumeiro sofreu com a falta de compactação no meio quando o Corinthians fez pressing. E quem joga pela direita do ataque neste time?

Celso Roth não abriu mão do sistema e mandou um 4-3-1-2 losango a campo, com Fábio no gol, Ceará e Everton nas laterais e Léo e Thiago Carvalho no miolo de zaga. Leandro Guerreiro protegia a defesa e era ajudado por William Magrão pela direita e Marcelo Oliveira pela esquerda. Montillo mais uma vez foi escalado na ligação para Martinuccio aberto pela esquerda e Anselmo Ramon na referência.

O Corinthians de Tite esteve longe de ser o time com muita movimentação tática da Libertadores. Dentre jogadores poupados, lesionados e convocados, o imutável 4-2-3-1 corintiano veio com Wallace e Paulo André protegendo no gol de Cássio e flanqueados por Weldinho na direita e Guilherme Andrade na esquerda. Guilherme e William Arão na dupla volância suportavam o trio de meias composto por Edenílson na direita, Douglas centralizado e o experiente Danilo na esquerda. À frente, Romarinho tentava ser um atacante de movimentação.

Pressing

Logo de cara já dava para ouvir os gritos de Tite na transmissão do jogo pela TV, dizendo para o time encurtar os espaços. É a característica da equipe paulista sob a batuta do técnico gaúcho: pressionar a saída de bola adversária. E nos primeiros minutos isso funcionou muito bem. O quarteto ofensivo do Corinthians subia a marcação e fazia os zagueiros e volantes do Cruzeiro cederem a posse da bola com chutões ou passes ruins. Assim, o Cruzeiro teve menos a bola no início do jogo, com muita dificuldade de saída.

Isto também acontecia porque, como já explorado neste blog antes, o losango de Celso Roth com Marcelo Oliveira e William Magrão pelos lados faz o time ficar “divorciado”, já que a principal função desses jogadores é a de marcar. Porém, os volantes do Corinthians também não se juntavam à movimentação ofensiva, e o Cruzeiro conseguia repelir os ataques adversários pelo simples fato de ter maior número de jogadores. Os volantes faziam dois contra um junto com os laterais nos meias abertos, Romarinho sofria ante a marcação dos dois zagueiros e Douglas era vigiado com qualidade por Leandro Guerreiro, fazendo com que a bola passasse pouco pelos pés do meia. Apenas Danilo conseguia levar algum perigo quando conseguia se desvencilhar de Ceará.

Cruzeiro ataca

Ofensivamente, o Cruzeiro jogou como sempre no início: bola longa para Anselmo Ramon, que disputa no alto para que a sobra fique com Montillo ou Martinuccio, ou então faz o pivô esperando a chegada dos companheiros. Aos poucos, a pressão alta corintiana foi arrefecendo e o Cruzeiro foi tendo mais espaços para jogar, principalmente pelo lado esquerdo com Martinuccio. Foi por ali que saiu o primeiro gol: o argentino recebeu passe de Montillo e fez assistência rasteira para Anselmo Ramon, no meio dos zagueiros, completar.

Porém, o outro lado do ataque era praticamente abandonado pelo Cruzeiro. Montillo preferia cair pelo lado esquerdo, uma vez que tinha companhia pra jogar no setor. Ceará pouco apoiava, principalmente por estar vigiando Danilo, e William Magrão, mais uma vez, fez uma partida ruim, sem saber se atacava com profundidade, marcava no meio-campo ou marcava o lateral esquerdo. Ainda não está claro qual é a função do volante neste esquema de Celso Roth. Provavelmente o jogo seria mais fácil se Élber estivesse jogando naquele setor, dando amplitude e profundidade ao mesmo tempo.

Ainda no primeiro tempo, Montillo sentiria uma fisgada na coxa e seria substituído por Souza. Dois jogadores com características bem diferentes, já que um parte com a bola dominada e é intenso, enquanto o outro cadencia mais, toca a bola e faz o time rodar. E foi exatamente isso que aconteceu: o primeiro tempo acabou cadenciado, sem intensidade.

Segundo tempo

Após o intervalo, os treinadores pareceram ter dito a seus times para continuarem assim, porque nenhuma mudança foi feita. Nem mesmo tática ou de postura. Assim, Cruzeiro mais com a bola no pé, mas procurando o gol da tranquilidade, e o Corinthians seguro, repelindo as investidas celestes numa tentativa de achar um gol num erro do adversário.

Ironicamente, foi num contra-ataque que o Cruzeiro ampliou. Bola roubada ainda dentro da grande área de defesa, sobrando para Souza. Bem ao seu estilo, o veterano meia conduziu, olhou, levantou a cabeça e viu Martinuccio do lado esquerdo. O argentino, destaque do jogo, cortou pra dentro do campo e tabelou com William Magrão, numa das poucas ações ofensivas produtivas do volante. Na cara do gol, Martinuccio deu uma cavadinha para vencer Cássio e consolidar a vitória.

As alterações promovidas pelos treinadores pouco mudaram taticamente, e o jogo seguiu para um final melancólico, só quebrado com a inusitada estreia do chinês Zizao no time adversário. Ele é ponteiro, jogou aberto pela esquerda. Mas pura jogada de marketing do time paulista para vender camisas no país mais populoso do mundo.

Conclusão

O Cruzeiro venceu o jogo, e até com certa facilidade, mas é preciso entender que este time do Corinthians está longe de ser o mesmo que venceu a Libertadores, com muita movimentação do quarteto ofensivo, tanto com quanto sem a bola. Talvez a pressão alta seja a característica mais marcante do time de Tite, e que só esteve presente no início do jogo.

E, enquanto foi feita, funcionou, demonstrando a dificuldade que o Cruzeiro tem em fazer ligação do meio com o ataque quando recupera a bola. Montillo não volta para buscar a bola e armar o time, essa não é a característica dele. Talvez por isso não seja tão bom escalá-lo na função de ponta-de-lança do losango de meio. Só faria sentido se os volantes pelos lados fosse bons com a bola e participassem constantemente das ações ofensivas, o que não é o caso de Marcelo Oliveira e William Magrão.

Com a vitória, enterramos de vez qualquer possibilidade de irmos parar no mesmo lugar que nossos rivais já foram. Assim, já é o caso de se pensar neste problema para 2013, ou seja, é preciso ter um volante-meia que tenha qualidade de chegada no ataque, ou então dois, para fazer este losango funcionar.

Entretanto, como vocês sabem, eu prefiro outro sistema de jogo. Mantenho as esperanças de que, um dia, um treinador do Cruzeiro perceberá que Montillo não é camisa dez como os brasileiros pensam: ele é ponteiro. E assim será feito o 4-2-3-1 com ponteiros argentinos de pés invertidos. Será que o Sampaoli faria isso?

Tomara que sim.

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