Flamengo 1 x 1 Cruzeiro – Pontos perdidos

Martinuccio foi titular, mas como segundo atacante ao invés de ponteiro no 4-3-1-2 losango, que também teve pouca ofensividade dos laterais e William Magrão sem saber a quem marcar

Os goleiros Felipe e Fábio garantiram os pontos de suas equipes no confronto do Engenhão. Liédson — com uma mãozinha de Vágner Love — e Éverton fizeram os únicos gols de suas equipes.

A entrada de Martinuccio como titular não mudou o sistema do Cruzeiro, pois o argentino entrou como segundo atacante ao invés de ponteiro esquerdo. O 4-3-1-2 de Celso Roth teve Ceará de volta à direita e William Magrão e Marcelo Oliveira como vértices laterais do losango de meio. Borges foi sacado para a entrada de Martinuccio, com Anselmo Ramon sendo a referência. A ideia era fazer o famoso jogo de primeira e segunda bola: lançamento longo para o centroavante disputar e a sobra ficar com um dos companheiros, ou então para ele fazer o pivô e esperar a chegada dos companheiros.

O Flamengo veio no mesmo esquema, mas com dois centro-avantes de área: Vágner Love e Liédson. Dorival Júnior escalou Léo Moura, eterno camisa 2, na meia-esquerda do losango de meio, com Íbson do outro lado e Cléber Santana na ligação.

A diferença de estilo das duplas de frente resultava em companhia a Wellington Silva quando este avançava (Martinuccio o acompanhava) mas Ramon subia sem ser incomodado, às vezes fazendo dois contra um com Léo Moura em cima de Ceará. No gol de Liédson, Léo Moura recebe a bola pela direita e carrega para dentro do campo, trazendo a marcação consigo e abrindo uma avenida para Ramon cruzar na mão de Vágner Love — literalmente.

Outro aspecto a se destacar — e que vem se repetindo de uns tempos pra cá, já notado por este blogueiro antes neste espaço — é a plataforma defensiva que Celso Roth tem que armar para libera Montillo de atribuições de marcação. Com isso, os volantes laterais do losango têm mais que marcar do que apoiar, meio que divorciando o time. Por isso a escolha por Anselmo Ramon, já que a ligação direta no contra-ataque parecia ser uma boa opção.

A briga no meio-campo foi equilibrada, pois o Cruzeiro marcava bem e o Flamengo pouco inspirado ofensivamente, sem verticalidade. Resultado: time da casa com maior posse de bola, mas com o Cruzeiro com mais finalizações. Até o gol, o Flamengo foi amassando o Cruzeiro pelos lados. Depois disso, no entanto, o Cruzeiro arriscou um pouco mais e conseguiu a igualdade, com Éverton sem nenhuma marcação dentro da área flamenguista. Uma falha quase inacreditável do sistema defensivo dos cariocas. O Cruzeiro ainda teria chances de ampliar, mas Anselmo Ramon e Montillo pararam em Felipe.

Após as alterações, o 4-3-1-2 losango quase teve cara de 4-2-3-1 diagonal, mas Marcelo Oliveira ficava mais por dentro do campo que pela ala

No segundo tempo, Adryan, que havia entrado na vaga de Léo Moura no último lance do primeiro tempo, foi jogar ao lado de Cléber Santana para tentar dar mais criatividade ao time, repaginando o Flamengo num 4-2-2-2. A tentativa de Dorival Júnior funcionou e o O Flamengo pressionou intensamente no início da etapa final. Celso Roth agiu rápido, mas não com uma mudança reativa e sim propositiva, tentando reequilibrar a briga no meio-campo: Charles na vaga do perdido William Magrão. O jogo voltou a ficar mais equilibrado e o Flamengo perdeu ímpeto, mas o jogo estava franco e aberto — mais por falhas defensivas do que méritos ofensivos de ambas as equipes.

Essas foram basicamente as únicas mudanças táticas da partida. As outras foram diretas: no Flamengo, Airton por Luiz Antônio no pé do losango e Ibson por Wellington Bruno na ligação (com Cléber Santana recuando); no Cruzeiro, Éverton por Diego Renan e Martinuccio por Élber (que foi jogar na direita). E é nessa última (no texto, porque na verdade foi a segunda) que faltou ambição: o correto seria deixar Martinuccio em campo e entrar com Élber, tirando Marcelo Oliveira. O Cruzeiro teria amplitude e sufocaria o “abafa” do Flamengo.

Mas a cautela falou mais alto e o empate prevaleceu. Empate que zerou todas as estatísticas de chances em 2012, para qualquer lado: nosso destino este ano é o meio da tabela. A impressão que ficou é que, se o Cruzeiro fizesse um pouco mais de força, teria vencido o Flamengo sem maiores problemas.

Como um alento, vale destacar que atuação do time foi até razoável, mesmo levando em conta os erros defensivos. William Magrão ainda não merece voltar a ser titular, Diego Árias já. Isso se o sistema for mantido — o que provavelmente deve acontecer até o fim do campeonato — pois eu preferiria mesmo é abrir Montillo para o lado do campo e entrar com Tinga ou Souza pelo centro.

Mas já estou ficando repetitivo, não é?

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *