Cruzeiro 0 x 4 Santos – O ocaso de Roth

A combinação de erros infantis com o imenso talento de Neymar resultaram em um hat-trick para o jovem santista e humilhação para o Cruzeiro em pleno Independência.

O estranho híbrido de 4-3-1-2 losango com 4-2-3-1 tendo Charles caindo pela direita e Sandro Silva se deslocando lateralmente, tudo por causa de Neymar

Ao contrário do que se esperava, Celso Roth não entrou com seu losango bem definido, mas com um híbrido entre este e um 4-2-3-1 torto, tudo para tentar parar Neymar. O pobre goleiro Fábio teve a linha defensiva formada por Ceará à direita, Rafael Donato e Mateus no miolo de zaga e Éverton pela esquerda. Leandro Guerreiro à frente da defesa, como de costume, mas tendo Sandro Silva perseguindo o camisa 11 santista e Charles com mais liberdade para se juntar ao ataque pelo lado direito. Montillo de ponta-de-lança, Martinuccio de ponteiro esquerdo, e Anselmo Ramon brigando com os zagueiros, na frente.

O Santos veio num esquema parecido. Rafael Cabral teve Bruno Rodrigo e Durval como dupla de zaga, flanqueados por Rafael Galhardo pela direita e Juan pela esquerda. Adriano ficava mais plantado, liberando Arouca e Henrique para se juntar ao trio Felipe Anderson no topo do losango, Neymar caindo mais pela esquerda mas com liberade de movimentação, e André centralizado.

A partida começou disputada e com a disputa no meio até certo ponto equilibrada, mas com os marcadores de Neymar falhando miseravelmente em suas missões. Sandro Silva, Rafael Donato, Mateus — todos, um a um, penaram para segurar a joia santista. Além de excelente driblador e finalizador, o jovem camisa 11 também consegue se posicionar de forma inteligente, enganando totalmente os volantes e zagueiros azuis.

O primeiro gol saiu de uma receita de bolo. Passo 1: pressione a zaga do Cruzeiro até um dos jogadores errar. Passo 2: Quando isso acontecer, você vai estar em uma posição de campo muito boa, bastando acrescentar qualidade para finalizar. E o Santos tinha isso em Neymar. Arouca passou como quis por Everton e achou o garoto dentro da área, que finalizou de primeira.

Para “desespero” de Celso Roth, o gol santista fez o Cruzeiro sair de sua cautela. Ao contrário dos últimos jogos, era Ceará o lateral que mais apoiava, e Éverton ficava mais preso, muito devido à presença de Felipe Anderson por ali. A “inversão” do comportamento dos laterais é surpreendente. Talvez a intenção de Celso fosse tentar explorar o espaço às costas de Neymar, que não ajuda na recomposição, fazendo dois contra um em Juan. Era Charles que ajudava por ali, e Montillo também caía por aquele lado. Porém, o jogo do Cruzeiro sob Celso Roth é cruzamento na área, sem qualquer alvo específico. Com Mateus, Donato e Anselmo Ramon na área, é bola alta pelos lados. Não existe jogada pelo chão.

Então veio o erro de Mateus em um ataque aparentemente dominado, culminando no segundo gol do Santos. A partir daí, foi um show de horrores, muito bem aproveitado pelo time visitante. Fábio evitou uma desvantagem maior ainda no primeiro tempo.

No intervalo, Celso tentou (?) colocar o Cruzeiro no jogo novamente, lançando Fabinho no lugar de Sandro Silva, que nada fez (nem marcar). O 4-2-3-1 era o que devia ter sido feito desde o início, mas com Ceará um pouco mais preso para tirar o espaço por onde Neymar joga. Porém, com dois gols de desvantagem, não havia alternativa senão atacar, e o Cruzeiro correu o risco. Ceará e Fabinho combinavam bastante pela direita, mas o resultado sempre era um cruzamento infrutífero.

E o risco de avançar apareceu no terceiro gol. Lateral cobrado com rapidez, Neymar com um toque bota a bola na frente e avança em velocidade. Não havia ninguém por ali para marcá-lo, e ele achou Felipe Anderson dentro da área, sem marcação nenhuma, para completar e matar o jogo.

No fim, Cruzeiro já sem forças, nem mesmo desesperado, apenas esperando acabar o jogo. Seria um 4-2-3-1 ou um 4-3-3? Não ficou claro

Jogo resolvido, o Santos se limitou a atacar no erro do Cruzeiro. E conseguia, porque o Cruzeiro errava demais. Celso Roth tirou Rafael Donato e lançou William Magrão na zaga — uma substitução técnica, não tática. Magrão não melhorou o combate. E pro fim, para a ira da torcida, sacou Martinuccio, um dos que mais lutava, para lançar Wellington Paulista dentro da área caindo pela direita, com Fabinho indo para o lado esquerdo. Substituição errada, mas coerente com a linha de pensamento do treinador: bola na área pra ver o que acontece. Não aconteceu nada.

Muricy só fez substituições para poupar seus jogadores, mantendo a mesma plataforma do início ao fim. E conseguiu até com facilidade segurar o frágil Cruzeiro, que vai caindo pelas tabelas. Celso Roth não vai continuar, e este jogo marcou, definitivamente, o fim de seu comando. Assim como o Cruzeiro, o treinador só vai cumprir tabela até o fim do campeonato.

Felizmente, o Cruzeiro só não tem chance real de descenso porque fez um bom início de campeonato, contra todos os prognósticos. Que não estavam tão errados, afinal.

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