Cruzeiro 2 x 1 Caldense – Velhos problemas, novas soluções

O Cruzeiro sofreu com alguns problemas recorrentes, mas conseguiu manter o aproveitamento máximo de pontos jogando no Mineirão, ao virar o jogo contra a Caldense hoje pela sétima rodada do Campeonato Mineiro. A vitória praticamente sela a classificação e pode dar mais tranquilidade para — quem sabe — fazer testes mais ousados.

O 4-2-3-1 inicial do Cruzeiro, encaixotado na marcação e volância passiva no ataque e na defesa

O 4-2-3-1 inicial do Cruzeiro, encaixotado na marcação e volância passiva no ataque e na defesa

Com Borges lesionado, Marcelo Oliveira optou pelo garoto Vinicius Araújo para comandar o ataque do 4-2-3-1 cruzeirense, à frente dos três meias “titulares”: Everton Ribeiro à direita, Diego Souza mais por dentro e Dagoberto pela esquerda. atrás destes, a imutável dupla de volantes Nilton e Leandro Guerreiro, e a linha defensiva composta por Everton, de volta à lateral esquerda, Ceará do outro lado, e Paulão e Léo, a surpresa, no miolo de zaga. Todos sob a capitania do goleiro Fábio.

A Caldense treinada por Tarcísio Pugliese veio também num surpreendente 4-2-3-1, mais defensivo. Glaysson no gol teve Jeffeson Feijão à direita, Júlio César e Paulão na zaga e Cris na lateral esquerda. Edmilson e Maxsuel eram os volantes, com Chimba pela direita, Rossini centralizado e Everton Maradona pela esquerda. Na frente, Nena era o atacante solitário.

O time visitante mostrou porque é uma das melhores defesas do Campeonato Mineiro até aqui, e conseguiu encaixotar o ataque celeste no primeiro tempo. O Cruzeiro segue com problemas ofensivos e defensivos, mas a mexida na formação de Marcelo Oliveira conseguiu reverter a situação, mostrando que já tem planos táticos alternativos na manga.

Marcação central

Apesar de ser um 4-2-3-1, a Caldense tinha proposta defensiva. Comandados por Rossini, o meia central, o quarteto de frente da Caldense aplicava uma marcação mista: Nena ia atrás do zagueiro que tivesse a bola, forçando o passe para o outro zagueiro e dali para um lateral. E assim que a bola chegava em Everton ou Ceará, o time compactava horizontalmente, ou seja, apertava o campo, tornando-o estreito, fechando qualquer possibilidade de passe curto à frente para os volantes ou meias pelo centro. O preço de deixar o lateral do lado oposto livre, provocando muitos gritos exaltados de “vira o jogo” nas arquibancadas do Mineirão.

A virada de jogo era sim uma opção, mas quando é feita pelo alto, a bola demora a chegar a seu destino e a Caldense “rodava” e compactava novamente do outro lado, mantendo as linhas de passe fechadas. O mais eficiente era fazer isso pelo chão, voltando no zagueiro do lado próximo e dele direto para o outro lateral, fazendo o ponteiro adversário (Chimba se o passe fosse para Everton, e Everton Maradona se o destino fosse Ceará) correrem como loucos para retomarem suas posições. O Cruzeiro se aproveitou disso, principalmente com Everton, que avançava pelo centro do campo e tentava procurar um dos quatro homens de frente.

Volantes passivos

Mas o avanço territorial era quase sempre infrutífero. É claro que enfrentar a segunda melhor defesa do campeonato era um motivo, com os quatro homens de frente bem marcados — laterais marcando os ponteiros, os dois volantes cuidando do meia central e os dois zagueiros encaixotando Vinicius Araújo. Mas o principal fator era a falta de mais gente no centro do meio campo com a posse de bola. Leandro Guerreiro e Nilton, hoje, ficaram passivos demais, não se juntavam à ação ofensiva. E assim a marcação da Caldense foi muito facilitada, e o time visitante executou sua proposta sem muitos sobressaltos. O Cruzeiro só levava perigo em bolas aéreas, cujo excesso demonstrou a falta de criatividade do ataque.

Como se não bastasse, a passividade da dupla volância não foi só quando o Cruzeiro tinha a posse. A marcação em cima dos meias adversários, principalmente em Rossini, foi muito frouxa. O meia tinha liberdade para recuperar a bola e pensar o jogo, sem que Leandro Guerreiro ou Nilton se aproximassem muito. Assim a Caldense criou algumas dificuldades e incomodou Fábio. A falta de pressão sobre o homem da bola, como se diz, fazia os jogadores da Caldense terem bastante tempo de posse de bola sem ser incomodados. Em um desses momentos, a bola foi cruzada na área, Léo rebateu na direção de Paulão, mas o zagueiro dominou mal e perdeu na corrida para Chimba, derrubando-o dentro da área e cometendo o pênalti que abriu o placar.

A alternativa

A surpresa foi o 4-1-4-1 com Tinga de volante preso e Everton Ribeiro vindo buscar atrás, abrindo espaços para Ricardo Goulart e para a velocidade dos ponteiros

A surpresa foi o 4-1-4-1 com Tinga de volante preso e Everton Ribeiro vindo buscar atrás, abrindo espaços para Ricardo Goulart e para a velocidade dos ponteiros

Vendo que mesmo após a conversa no intervalo o time não dava sinais de conseguir sair da excelente marcação adversária, Marcelo Oliveira usou as três substituições para tentar desmontar o esquema defensivo de Pugliese. Primeiro fez uma dupla mudança, com Tinga e Élber nas vagas de Nilton e Diego Souza. Logo depois, Ricardo Goulart entrou na vaga de Paulão. Élber entrou aberto pela direita, Ricardo Goulart fez companhia à Everton Ribeiro como dupla de meias centrais e Dagoberto ficou na esquerda, com Tinga sendo um volante único do novo 4-1-4-1 — Guerreiro foi ser zagueiro.

Porém, o camisa 55 mal teve trabalho, pois depois das substituições o time melhorou muito. Isso porque Everton Ribeiro ficou um pouco mais recuado que Ricardo Goulart, pegando bolas nos pés de Tinga e dos zagueiros para começar as jogadas ofensivas. Isso tirava um dos volantes da sólida linha defensiva da Caldense, abrindo espaços para Goulart e os ponteiros. Estes últimos fizeram a festa, pois agora só tinham os laterais à frente, sem auxílio dos volantes. E foi numa jogada de Dagoberto pela esquerda, driblando em direção ao gol que o juizão apitou um pênalti no mínimo estranho, na modestíssima opinião deste blogueiro.

Duas linhas de quatro

A Caldense já havia trocado Chimba por Tinga (o deles), por lesão, e também Everton Maradona por Rodrigo Paulista. As substituições mantiveram o 4-2-3-1 defensivo, mas não evitaram o empate. Então, Pugliese lançou Luizinho na vaga do cansado Rossini, colocando-o como ponteiro esquerdo e avançando Rodrigo Paulista para o ataque, configurando um típico 4-4-2 britânico — ou seja, com o meio-campo em linha, as famigeradas “duas linhas de quatro”. De certa forma, funcionou, pois os ponteiros já não tinham tanta liberdade com a marcação dobrada.

Mas a Caldense já não tinha mais o mesmo fôlego, e não encurtava tanto. Foi assim que Ceará e Élber trocaram vários passes do lado direito da área, procurando uma brecha, até que Élber centrou aparentemente sem muita esperança de achar alguém ali. Mas Ricardo Goulart, como um bom meia central, saiu da marcação na hora certa, cabeceando no cantinho, tirando de Glaysson para virar e partida, selando a vitória e a manutenção dos 100% no Mineirão.

É preciso testar todos os setores

O Cruzeiro ainda oscila. Faz um jogo excelente e logo na rodada seguinte cai de produção. É normal para um time que só fez sete partidas oficiais no ano — alguns paulistas já fizeram 18 — mas o tempo passa, e a fase inicial do Campeonato Mineiro, que é o ambiente ideal para testes, já está acabando. É claro que ainda há tempo para fazer testes, pois o Cruzeiro, com 19 pontos, já está praticamente garantido na fase final. Entretanto, o treinador me parece querer testar apenas o parceiro para Paulão, que vem mudando a cada jogo. O quarteto ofensivo, os laterais e os volantes já me parecem estar definidos, e é justamente estes últimos que mais me intrigam.

A volância me parece ser o problema mais crônico do time, e Guerreiro e Nilton parecem ter lugar cativo. Não vejo outros volantes serem testados, sequer em treinamentos. Lucas Silva, Henrique e Uelliton parecem não agradar ao treinador. Ok, Henrique ainda não tinha condições de jogo, mas os outros dois sim. Porque não testá-los? Porque não levá-los pelo menos para o banco e usá-los durante a partida? Perguntas que só quem está no dia-a-dia dos treinamentos pode responder.

Alô, Marcelo Oliveira, você lê este blog? É, não, acho que não.



Boa 1 x 4 Cruzeiro – Amadurecendo

Muito superior ao adversário, mas longe de fazer um jogo perfeito, o Cruzeiro se impôs em Varginha e venceu o Boa Esporte com autoridade.

Marcelo Oliveira escalou, pela primeira vez, o quarteto ofensivo que a torcida vem pedindo: Everton Ribeiro, Diego Souza e Dagoberto fizeram a linha de três armadores atrás de Borges. Leandro Guerreiro e Nilton foram, mais uma vez, a dupla responsável pela volância de um 4-2-3-1 diagonal, que ainda tinha na linha defensiva protegendo Fábio os laterais Ceará pela direita e Egídio pela esquerda, com Paulão e Nirley novamente no miolo de zaga.

O Boa do treinador Sidney Moraes entrou numa espécie de 4-3-1-2 armado em torno de Marcelinho Paraíba. O meio parecia um losango, mas o sistema tinha muitas compensações para tentar travar a saída de bola do Cruzeiro, como fizeram os adversários anteriores. A defesa do goleiro Douglas era composta por Robert à direita, Leandro Camilo e Rodrigo Arroz centralizados e Aírton pelo lado esquerdo. Dos três volantes, Jair era quem ficava mais plantado no meio, com Petros abrindo mais pela direita e Radamés mais perto de Jair. Marcelinho Paraíba era o camisa 10 clássico, responsável pela criação, e tinha o centro-avante Betinho e o atacante Fernando Karanga pelo lado esquerdo do ataque.

Foi uma boa movimentação do quarteto ofensivo — não fosse o chute pra fora de Dagoberto no segundo tempo, cada um teria feito um gol, simbolizando isto. De qualquer forma, foi uma atuação animadora ofensivamente, e uma vitória merecida e que mostra evolução.

Encaixe de marcação

A intensa movimentação dos quatro avançados sentiu falta de um volante mais participativo no 4-2-3-1 do Cruzeiro no primeiro tempo

A intensa movimentação dos quatro avançados sentiu falta de um volante mais participativo no 4-2-3-1 do Cruzeiro no primeiro tempo

Como todos os times do interior que enfrentam o Cruzeiro, a proposta do Boa era se defender da melhor forma possível e partir em velocidade nos contra-ataques. No esquema montado por Sidney Moraes, o atacante Fernando Karanga era responsável por acompanhar Ceará até o fundo do campo, se fosse preciso. Assim, com a subida do lateral quando o Cruzeiro tinha a posse, somente Betinho e Marcelinho Paraíba ficavam à frente do time. Mesmo assim, não incomodavam os zagueiros, se preocupando mais em fechar as linhas de passe aos volantes. Já as subidas de Egídio eram marcadas pelo volante Petros, que abria seu posicionamento exatamente para isso, liberando o lateral Robert para marcar quem chegava por aquele setor — o adversário mais comum era Dagoberto.

Do outro lado do meio campo, Radamés perseguia Everton Ribeiro, enquanto Jair era a sombra de Diego Souza: ia atrás do camisa 10 onde ele fosse no campo. E Borges brigava com os zagueiros.

Movimentação intensa

Mas Borges não permanecia enfiado. Por vezes, o camisa 9 recuava para receber um passe e tirar os zagueiros da área, abrindo espaços para seus companheiros, formando um quarteto ofensivo de excelente movimentação. Cada um dos meias apareceu em alguma das três posições em algum momento: Everton Ribeiro partia da direita e centralizava, ou abria pela esquerda; Diego Souza ora ficava no centro, ora caía pela direita, ora pela esquerda, além de subir para fazer companhia a Borges, sempre arrastando a marcação de Jair consigo; e Dagoberto aparecendo nas duas pontas.

As jogadas saíam com naturalidade, quase sempre passando pelos pés de dois ou mais destes quatro, confundindo a marcação do Boa. Em um destes lances, Dagoberto tinha a bola nos pés pela esquerda e passou a Everton Ribeiro, chegando do centro para dar apoio. O camisa 17 dominou e lançou a Borges já dentro da área, que girou e bateu num zagueiro, sobrando do lado direito para – sim – Everton Ribeiro, que já tinha atravessado a área justamente para receber um eventual passe.

Falta de volantes passadores

Mesmo assim, alguém pode pensar que, se o Cruzeiro tinha tanta movimentação, porque não teve mais chances de gol? Simples: nos faltam volantes passadores e ousados. Leandro Guerreiro e Nilton vêem o campo de frente, e quase sempre um dos dois tem bastante tempo pra pensar o que fazer com a bola. Mas chegam pouco ao ataque. Ter um volante mais rápido e enérgico, que participasse mais do jogo ofensivo (mas com boa marcação, como todo volante deve ter), seria fundamental. A falta destes jogadores fazia o Cruzeiro reter a bola, principalmente com os zagueiros e volantes, mas não havia uma conexão boa com o ataque. O maior sinal disso é que Diego Souza e Everton Ribeiro passaram a recuar para busca a bola nos pés dos zagueiros.

Ironicamente, o primeiro gol saiu num passe para Diego Souza de… Leandro Guerreiro. Mas era uma situação de contra-ataque, onde é mais fácil acertar um passe longo com mais espaço para mirar a bola sem acertar um adversário. Diego entrou pela direita e arrancou bem a seu estilo, cortando pra dentro antes de bater na trave. A bola caprichosamente bateu no calcanhar de Douglas e entrou chorando. Me lembrou aquela disputa de pênaltis contra a França em 1986.

Sem a bola

Logo depois do gol, o Boa empatou, aproveitando a defesa alta do Cruzeiro. Defesa alta significa que os zagueiros estão longe de sua área, mais próximos de seus companheiros de time — a famosa compactação à qual os treinadores tanto se referem. Porém, a liberdade de Betinho para fazer um passe em profundidade para Fernando Karanga evidencia uma característica que pode não ser boa futuramente: o Cruzeiro é um time que joga e deixa jogar. Não vi os jogadores, em nenhum momento, tentarem fazer pressão alta, marcando as jogadas no campo ofensivo, tentando tomar a bola o mais rápido possível (o Barcelona manda lembranças).

Claro que Fernando Karanga se aproveitou da lesão de Ceará, que tinha sofrido entrada dura minutos antes e já não conseguia mais correr tudo o que conseguia. Mas se Betinho não tivesse a liberdade que teve para pensar o passe, certamente o empate não teria saído.

Felizmente, Éverton Ribeiro mostrou mais uma vez porque é uma das principais contratações cruzeirenses da temporada. Ele mesmo interceptou o passe à frente da área defensiva, com todo o campo pra correr. E fez exatamente isso, passando com velocidade por dois adversários e achando Borges, que se movimentava para sair da marcação. O zagueiro do Boa foi atrás do camisa 9, deixando a área totalmente desprotegida, e Éverton Ribeiro aproveitou, já que ninguém o acompanhou. Recebeu de volta de Borges, que não foi fominha, bateu e correu pro abraço.

Segundo tempo

Ceará não conseguiu voltar após o intervalo, e Marcelo Oliveira promoveu a estreia do garoto Mayke, recém-chegado das categorias de base. Já Sidney Moraes lançou Neílson como ponteiro direito na vaga de Radamés. Marcelinho Paraíba permaneceu centralizado, e Fernando Karanga se alinhou aos dois: um 4-2-3-1 típico. A ideia era, provavelmente, bloquear a saída de Egídio pelo lado esquerdo. Não funcionou e o lateral continuou subindo ao ataque da mesma forma, sendo que do outro lado o garoto Mayke não decepcionou: apoiou bem mais do que Ceará no primeiro tempo, dando muito trabalho a Fernando Karanga. Com um a menos no centro do campo do Boa, abriram-se mais espaços para o jogo ofensivo cruzeirense. Ou seja, no fim das contas, as duas substituições foram benéficas ao Cruzeiro.

O terceiro não tardou a chegar. Cruzamento de Egídio que a zaga afastou mal. Borges aproveitou e deixou o dele. Faltava o de Dagoberto, e cinco minutos depois, a chance: Borges deixou seu companheiro na cara do gol, mas o camisa 11 mandou pra fora. Seria a coroação da boa atuação do quarteto ofensivo.

Tinga de meia

Após as mexidas, Tinga jogou como ponto de apoio, um meia central de um 4-2-2-2 que variou para 4-2-3-1 dependendo da posição de Diego Souza

Após as mexidas, Tinga jogou como ponto de apoio, um meia central de um 4-2-2-2 que variou para 4-2-3-1 dependendo da posição de Diego Souza

Pouco antes da chance de Dagoberto, Sidney Moraes havia trocado Petros por Phillip, reforçando a marcação pelo lado direito, por onde chegava Egídio. Ele e Robert revezavam entre a volância e a lateral direita, mas o 4-2-3-1 se manteve. Alguns minutos depois, Marcelo Oliveira fez uma substituição em dois tempos: primeiro lançou Tinga na vaga de Everton Ribeiro, e depois Élber entrou no lugar de Dagoberto. O sistema se tornou um híbrido de 4-2-2-2 com 4-2-3-1, dependendo da movimentação de Diego Souza. Élber fez sua função natural, ponteiro direito, enquanto Tinga foi ser meia central. Diego variava entre ponteiro esquerdo e segundo atacante.

Com Tinga, o centro do meio-campo cruzeirense tinha a combinação clássica: marcador-passador-corredor. Guerreiro ficava mais preso, Nilton teve mais liberdade pra pensar e Tinga corria para se juntar ao ataque. O gol que fechou o placar ilustrou bem isto: Leandro Guerreiro passou a Nilton, que fez um lançamento longo para Diego Souza dentro da área. Com bastante tempo, o camisa 10 esperou o recuo de Tinga, fugindo da marcação, para mandar ao cabeludo bater de primeira no canto esquerdo de Douglas.

Ainda deu tempo de perder mais um gol, com Élber, mas ali o jogo já havia terminado e o Boa estava totalmente entregue.

Maturidade

Todos os quatro jogadores ofensivos tiveram uma boa atuação e foram bastante participativos. Pra usar um termo que nosso treinador gosta, a movimentação promovida “envolveu” a defesa adversária. É claro que, contra equipes do interior, que quase sempre jogarão bem recuadas e tentando somente se defender, o Cruzeiro terá menos espaço para tocar a bola. O primeiro gol, num contra-ataque rápido ao invés de numa jogada trabalhada, ajudou a abrir um pouco o time oponente, que teve de sair para tentar o empate, e isso acabou beneficiando o Cruzeiro.

Entretanto, ainda sinto falta de um volante passador neste time. Nilton e Leandro Guerreiro vem fazendo partidas boas defensivamente, mas com a bola tem deixado a desejar. O desejo deste blogueiro — e de toda a torcida, acredito — é que Marcelo faça mais testes com outras duplas de volantes. Afinal, todos os setores do time estão tendo rotatividade, exceto na volância. Henrique e Lucas Silva são boas opções para este papel de volante passador.

O amadurecimento é claro, e a atuação foi animadora, mas volto a dizer: o time ainda está em formação. Portanto, ainda temos que ter paciência. Se o time já não é mais um recém-nascido, nem uma criança, também ainda não chegou à adolescência. Mas hoje se comportou como um jovem recém-formado: promissor, já com alguma bagagem, mas ainda com muito o que aprender.



Araxá 2 x 3 Cruzeiro – Depois do vermelho

Num jogo em que o Araxá executou muito bem sua proposta tática, Borges marcou duas vezes e o Cruzeiro manteve a liderança do Campeonato Mineiro — tarefa que foi facilitada pela expulsão de Carlão no início da etapa final.

O 4-2-3-1 inicial: Diego Souza se movimentando, laterais bloqueados pelos alas adversários e volantes pouco participativos

O 4-2-3-1 inicial: Diego Souza se movimentando, laterais bloqueados pelos alas adversários e volantes pouco participativos

O 4-2-3-1 habitual de Marcelo Oliveira desta vez teve duas novidades no quarteto ofensivo em relação ao jogo passado: atrás do garoto Vinicius Araújo no comando do ataque, Dagoberto voltou ao time titular como ponteiro esquerdo. Diego Souza centralizado e Everton Ribeiro completavam a linha de três meias, suportada por Leandro Guerreiro e Nilton na dupla volância e a linha defensiva formada por Ceará na lateral direita, Everton na lateral esquerda e Nirley estreando ao lado de Paulão no miolo de zaga, protegendo o gol de Fábio.

O Araxá do técnico Flávio Lopes teve três zagueiros “ão” à frente do gol de Marcelo Cruz: dois “Rodrigões”, o Mineiro pela direita e o Paulista por dentro, e Carlão pela esquerda. No meio campo do 3-4-1-2, os alas Osvaldir na direita e Fabiano na esquerda flanqueavam os volantes Bruno Moreno e Balduíno e Braitner era o encarregado da ligação para Evandro e Fabrício Carvalho.

Encaixe

Em seu livro sobre a história da tática no futebol, “Invertendo a Pirâmide” (infelizmente ainda não publicado no Brasil), Jonathan Wilson discorre sobre a ascensão do 4-2-3-1 e, por consequência, o declínio do 3-5-2 (e sistemas derivados). Em resumo, ele diz, citando Nelsinho Batista, que os alas do 3-5-2 têm que recuar para marcar os ponteiros do 4-2-3-1, criando uma sobra redundante de cinco homens contra três. Isso libera os laterais adversários para ser o homem da sobra na defesa, ajudar no meio-campo ou apoiar o ataque sem ser incomodados. Assim, o time do 4-2-3-1 domina a posse de bola e ao mesmo tempo tem mais amplitude.

No entanto, corajosamente, Flávio Lopes pediu justamente o oposto para seus alas: Fabiano e, principalmente, Osvaldir jogavam muito avançados, alinhando-se com os meias, formando uma espécie de 3-2-4-1. O objetivo era justamente bloquear a saída pelas laterais do Cruzeiro, que foi a única alternativa no primeiro tempo do jogo anterior. Era só a bola chegar em Ceará ou Everton que eles já eram pressionados, à frente da linha do meio-campo, pelos alas. Quase não vimos o camisa 2 e o 23 apoiarem o ataque. Isso, somado à pouca participação ofensiva dos volantes, e a forte marcação imposta ao quarteto ofensivo, deixava o Cruzeiro com mais posse de bola — chegou a mais de 60% em um determinado momento do primeiro tempo — mas sem produzir muito.

Sobra no meio

A marcação araxaense na última linha, inclusive, tinha uma particularidade. Os zagueiros não permaneciam centralizados, como é o costume de um sistema com um trio defensivo. Os zagueiros de lado saíam à caça dos ponteiros cruzeirenses, enquanto Rodrigão Paulista ficava a cargo de Vinicius Araújo. Não havia cobertura na zaga, pois ela estava no meio-campo: Diego Souza era perseguido de perto por Balduíno, com Bruno Moreno ajudando. Com todos os jogadores ocupados, sobrava para os zagueiros Paulão e Nirley — nenhum particularmente criativo ou bom passador — iniciarem o trabalho de ataque.

Todos estes fatores fizeram o Araxá ser melhor no primeiro tempo. A cada passe errado do Cruzeiro, a bola chegava rapidamente em Fabrício Carvalho, que fez uma excelente partida na função do centro-avante de referência. Ele abusou dos passes de primeira para o velocíssimo Evandro, sempre levando a melhor sobre Nirley e pegando a defesa do Cruzeiro desprevenida, sem o suporte dos volantes. As chances criadas pelo time da casa não foram em vão.

A jogada do gol não teve particularmente um aspecto tático, tirando o fato do Araxá estar com a marcação bem adiantada na posse de bola azul (a alternância de pressão do Araxá também foi um fator que chamou a atenção). A lambança de Nirley e Fábio gerou o escanteio que expôs novamente o que já podemos dizer ser um problema crônico do Cruzeiro: a bola parada, cada vez mais uma arma no futebol moderno — para a tristeza deste blogueiro, que gosta de gols com bola rolando.

10 contra 11

A movimentação de Diego Souza, tentando cair pelos lados para fugir da perseguição de Balduíno, aumentou um pouco a paciência de Marcelo Oliveira, que não mexeu no intervalo. Ele provavelmente quis testar o comportamento do time atrás no placar. Dez minutos foram suficientes para ver que nada tinha mudado: mesmo vencendo, o time da casa não abdicou do ataque e manteve a proposta, tendo a primeira chance logo a um minuto em contra-ataque velocíssimo, finalizado por Bruno Moreno em cima de Fábio.

Após as substiuições, Luan e Everton Ribeiro se revezavam pela esquerda, mas foi a velocidade de Élber do outro lado que provocou a expulsão

Após as substituições, Luan e Everton Ribeiro se revezavam pela esquerda, mas foi a velocidade de Élber do outro lado que provocou a expulsão

O time precisava de velocidade e movimentação. Élber entrou na vaga de Dagoberto, invertendo Everton Ribeiro de lado, e Borges entrou na vaga de Vinicius Araújo: o 4-2-3-1 estava mantido. Logo no primeiro lance, Élber sofreu falta dura de Carlão, que já tinha amarelo. A expulsão por acúmulo desmontou o sólido sistema defensivo de Flávio Lopes, mesmo após a recomposição do trio de zagueiros com a entrada de Bruno na vaga de Braitner. Isso porque a cobertura no meio-campo deixou de existir, já que um dos volantes agora tinha que cuidar de Nilton ou Leandro Guerreiro, agora livres para apoiar. E com isso um pouco do futebol de Diego Souza apareceu.

Logo após o empate de Paulão, fuzilando de primeira após cabeceio ofensivo de escanteio, o camisa 10 fez uma jogada na sua característica, arrancando na força física. Rodrigão teve de sair da marcação a Borges para tentar parar o avanço do meia, mas o passe de Diego Souza nesse exato momento matou a cobertura e deixou o camisa 9 na cara do gol, que venceu Marcelo Cruz para a virada.

Quando tudo parecia mais tranquilo, o Araxá empatou em pênalti cometido por Nirley em Fabrício Carvalho. Logo após o gol, Marcelo Oliveira lançou Luan de ponteiro esquerdo na vaga de Everton, passando Everton Ribeiro para a lateral esquerda. Na verdade era muito mais um revezamento, mas a intenção era dar mais verticalidade àquele lado do campo. Mas o gol da vitória veio pela direita. Ceará achou Diego Souza fugindo da marcação no meio, indo para a direita da área. Com apenas um marcador à frente, Diego arriscou pro gol, e no rebote de Marcelo Cruz, Borges fez seu segundo gol na partida.

Flávio Lopes ainda tentou mandar o time à frente para tentar novo empate, com as entradas de Roberto Jacaré e Michel Cury no meio-campo nas vagas de Bruno Moreno e Evandro, deixando apenas Fabrício Carvalho à frente. A intenção era repovoar o meio-campo, mas com um homem a menos havia muito chão para cobrir, e o Cruzeiro manteve a tranquilidade com a posse de bola até o fim.

Paciência e elenco

O jogo de ontem mostrou que o Cruzeiro ainda tem deficiências a serem corrigidas — o que é normal, pois ainda considero o time em formação. A bola parada, uma das cinco fases do jogo, ainda não deve ser a prioridade de Marcelo Oliveira nos treinamentos, mas sim as outras quatro: a fase ofensiva (posse de bola no ataque), transição ofensiva (também conhecido como contra-ataque), transição defensiva (contra-ataque do adversário, ou seja, a recomposição) e fase defensiva (posse de bola do adversário). Este blogueiro-torcedor aprova: marcar gols e evitar os do adversário com a bola rolando faz com que eventuais deslizes na bola parada sejam menores.

Um outro possível problema está na volância: o Cruzeiro precisa, nestes jogos, de um volante passador, que apóie mais. Nilton e Leandro Guerreiro são excelentes na marcação, mas contra esquemas como o de ontem não conseguem jogar. A variação tática proporcionada por um jogador como Henrique ou Lucas Silva, por exemplo, seria muito importante para anular estes sistemas defensivos, já que o avanço do volante configuraria um 4-1-4-1 temporário e cancelaria a sobra dupla no meio, dando mais liberdade a Diego Souza.

O camisa 10, aliás, foi uma das notas boa do jogo: movimentou-se mais, recebeu mais bolas e deu mais assistências. Aos poucos vai ganhando “ritmo de futebol brasileiro” e tem tudo para despontar nas fases agudas do Mineiro e nas primeiras rodadas do Brasileirão, no qual os adversários certamente jogarão de maneira menos reativa que os últimos adversários celestes.

É claro que, exigente como é, a torcida cruzeirense já quer que o time esteja voando. Mas é preciso paciência. A boa notícia que é o banco está resolvendo. É como aquela frase famosa diz: “bons times ganham jogos, bons elencos ganham campeonatos”.

E são campeonatos que nós queremos.



Cruzeiro 3 x 1 Tombense – Foi na técnica

Para abrir este post, recorro novamente a Jonathan Wilson, autor do livro “Inverting the Pyramid” sobre a história da tática no futebol, em uma frase que utilizou em seu blog no jornal inglês The Guardian: “Simetria não é essencial, mas o equilíbrio é”.

Este equilíbrio é o sonho de todo treinador de futebol: defender e atacar com a mesma eficiência, em todos os setores do campo. Mas o que se viu ontem do Cruzeiro, na vitória por 3 a 1 sobre o Tombense no Mineirão, foi uma equipe sem simetria mas também sem equilíbrio. Ataque e defesa tiveram momentos diferentes durante a partida, e a vitória só veio pela diferença técnica existente entre os dois elencos.

Formações

O 4-2-3-1 da primeira etapa tinha a tendência de cair para a esquerda, com E. Ribeiro mais por dentro e Everton apoiando mais que Ceará

O 4-2-3-1 da primeira etapa tinha a tendência de cair para a esquerda, com E. Ribeiro mais por dentro e Everton apoiando mais que Ceará

Marcelo Oliveira escalou o Cruzeiro no seu já habitual 4-2-3-1, com Fábio no gol e sua linha defensiva composta por Ceará à direita, Thiago Carvalho (substituindo Bruno Rodrigo, contundido) e Paulão no miolo de zaga e Éverton na lateral esquerda. Nilton e Leandro Guerreiro mais uma vez fizeram dupla na volância, suportando Everton Ribeiro à direita, Diego Souza centralizado e a novidade Luan de ponteiro esquerdo, todos procurando Anselmo Ramon na frente.

Já o Tombense veio, como esperado, em um sistema super-defensivo para segurar o ataque azul. O técnico Marcelo Cabo mandou a campo um 4-3-2-1. O gol de Glaycon foi defendido pelos zagueiros Andrezinho e Alexandre, flanqueados por Ari na direita e Guilherme Lazaroni na esquerda. O trio de volantes era formado por Mateus Silva pela direita, Serginho por dentro e João Guilherme na esquerda. À frente, Joílson na ligação tinha a companhia do atacante Éder Luiz. Só Adeílson ficava mais à frente.

A árvore de natal e a assimetria

Dois fatores chamaram a atenção no primeiro tempo. O primeiro era que a marcação do Tombense, que lembrava uma árvore de natal, foi desenhada para forçar a posse de bola do Cruzeiro para lados do campo. Os três jogadores da frente fechavam as linhas de passe no meio, forçando os zagueiros do Cruzeiro a procurarem as laterais. Os volantes Nilton e Leandro Guerreiro, que normalmente se revezam para tentar achar o primeiro passe, quase não viam a bola em seus pés.

O outro fator que o time do Cruzeiro “pendia” para o lado esquerdo, uma vez que Everton Ribeiro, um “ponteiro de pé invertido” (canhoto na direita), tinha a tendência de centralizar mais, ao invés de ficar aberto, perto da linha lateral. Do outro lado, Luan fazia exatamente o contrário: ficava o mais aberto possível, tentando achar uma corrida em diagonal ou buscar a linha de fundo para o cruzamento.

Com isso, o time perdia amplitude no ataque (ou seja, não “alargava” o campo, tentando abrir a defesa adversária) e facilitava a marcação do Tombense. Este problema seria facilmente resolvido se Diego Souza revezasse com Everton Ribeiro na ponta direita, arrastando a marcação consigo e abrindo espaço para ele e ao mesmo tempo dando mais uma opção de passe. Mas o camisa 10 se movimentou pouco e quase não participou do jogo ofensivo.

Ceará bem que tentou ser a opção pelo lado direito, mas o lateral apoiou pouco, não só por ser estar “sozinho” naquele lado como também pelas opções de passe dos companheiros, que sempre buscavam o lado canhoto do campo.

O resultado pode ser visto nos números: de acordo com os dados coletados pela Footstats e publicados no site da ESPN Brasil, o Cruzeiro passou 43,09% de sua posse no lado esquerdo do campo, contra apenas 30,75% do lado direito. Uma discrepância grande.

Curiosamente, o gol saiu num momento em que Luan e Everton Ribeiro estavam invertidos. E numa tabela entre os dois Evertons é que saiu a conclusão do lateral que provocou o rebote para o garoto Vinicius Araújo — que havia entrado no lugar do lesionado Anselmo Ramon sem alterar o sistema — abrir o marcador.

Segundo tempo

Marcelo Cabo tirou um de seus volantes, Mateus Silva, e lançou o atacante Tiago Azulão, que foi jogar de ponteiro esquerdo. Joílson foi para a direita e Eder Luiz ficou centralizado, configurando um 4-2-3-1 que variava para um 4-4-1-1 sem a posse de bola. Talvez o treinador do Tombense queria dobrar a marcação nos dois lados do campo e ao mesmo tempo ter uma saída de contra-ataque para buscar o empate.

Porém, assim como na primeira etapa, o Cruzeiro continuava dominando a posse de bola, mas desta vez com ainda mais dificuldade para penetrar na bem postada defesa adversária. O Cruzeiro só chegava quando tocava rápido a bola, virando o jogo pelo chão mas com velocidade, o que acontecia só esporadicamente.

Somente aos 12 minutos Marcelo Oliveira mexeu: sacou Luan e lançou Dagoberto, que foi jogar espetado pelo lado esquerdo, quase como um segundo atacante. Era um 4-2-3-1 com uma variação interessantíssima para o 4-2-2-2 (com Everton Ribeiro centralizando e Dagoberto avançando). Mas a mudança mais importante com a alteração foi no estilo: Dagoberto prefere a velocidade, enquanto Luan tentava mais na força física. O time ficou mais leve e mais vertical.

Domínio visitante

Porém, com o ataque melhorando, a defesa começou a piorar. Com menos jogadores marcando nos flancos ofensivos, já que Dagoberto não acompanhava o lateral e Everton Ribeiro frequentemente estava na parte central do campo, o Tombense começou a achar uma saída de bola sem pressão. A marcação celeste, que no início do jogo era no campo adversário, agora era em bloco médio, fazendo pressão somente quando a bola já havia ultrapassado a linha divisória. O time de Tombos começou a “gostar” do jogo e saiu um pouco mais. A defesa do Cruzeiro respondia passivamente, deixando os jogadores adversários pensarem.

No fim, o Cruzeiro se postou num 4-2-2-2 com muito mais movimentação ofensiva, mas desorganização na defesa

No fim, o Cruzeiro se postou num 4-2-2-2 com muito mais movimentação ofensiva, mas desorganização na defesa

Quando o Tombense já era melhor no jogo, o Cruzeiro ampliou, justamente num contra-ataque. Bola rebatida, passe para Vinicius Araújo, que estava bem aberto pela esquerda, sem marcação. Ele avançou e cruzou rasteiro para o outro lado da área. Everton Ribeiro, que já tinha passado da linha da bola, recuou e concluiu com muita tranquilidade, sem chances para Glaycon.

Logo após o gol, Éder Luiz cedeu seu lugar a Alex, em mais uma tentativa de Marcelo Cabo em pressionar o Cruzeiro. O jogador foi jogar de meia central, mantendo o 4-2-3-1. Marcelo Oliveira queria garantir a vitória e sacou Diego Souza, apagado no jogo, lançando o garoto Élber. Dagoberto virou atacante de vez e o 4-2-2-2 estava oficializado, com quatro jogadores leves se movimentando à frente.

Mas o domínio do time de Tombos continuou. O Cruzeiro sofreu um gol em lance de bola parada, com Adeílson, e quase sofreu o empate minutos depois. Fábio, que já havia feito um milagre antes, impediu um lance e Tiago Azulão mandou pra fora em outro. A tranquilidade só veio quando, em um lance — ironicamente — de contra-ataque, Élber encontrou Dagoberto aberto pela direita do ataque. O camisa 11, dominou e esperou a chegada de Élber para devolver a bola num passe milimétrico que furou o sistema defensivo. O jovem meia bateu no canto alto esquerdo e deu números finais à partida.

Vencer sem convencer?

A vitória veio, a liderança foi mantida, mas não sem um certo sufoco. O Tombense esteve muito bem armado em campo pelo técnico Marcelo Cabo, e o resultado veio muito mais na habilidade técnica dos jogadores cruzeirenses do que na disposição tática. Nesse aspecto, arrisco dizer até que o Tombense foi superior — cumpriu muito bem o papel de travar o ataque cruzeirense.

É claro alguns fatores, como ficar duas semanas sem jogar, a atuação discreta de Diego Souza — muito marcado e sem inspiração para se movimentar e sair dela — e a pouca participação dos volantes nas ações ofensivas fizeram o Cruzeiro ficar mais previsível, facilitando o trabalho defensivo adversário. O time melhorou no segundo tempo ofensivamente com as substituições promovidas, mas caiu muito defensivamente. Fosse o Tombense um time mais técnico, certamente sairia com um resultado melhor do Mineirão.

Um time ofensivo e envolvente, como quer Marcelo Oliveira, pode ser equilibrado. Mas isso requer entrosamento (foi apenas o quarto jogo oficial do Cruzeiro na temporada) e que os jogadores executem funções para além das que estão designados: atacantes têm que marcar e defensores têm que jogar. Coisas que faltaram ao Cruzeiro ontem e que só o tempo poderá trazer.

De fato, ainda há muito trabalho a fazer.