Cruzeiro 2×1 Ceará – Mulheres fazendo história

Elenco e comissão: autores de mais uma página heroica e imortal

Uma campanha espetacular. Assim podemos resumir a trajetória do time feminino do Cruzeiro na sua primeira competição. Uma equipe que foi formada há apenas 5 meses, e que já encarou seu primeiro jogo com apenas 40 dias de existência. Naquele dia o Cruzeiro saiu derrotado, mas até agora isso não se repetiu mais. Aliás, desde aquela tarde em Taubaté, não houve sequer empates. Oito vitórias consecutivas garantiram o clube na primeira divisão do futebol feminino nacional em 2020. Uma página heroica imortal — mais uma.

O time que iniciou o jogo do acesso: Isabela e Duda na dupla volância, Vanessa por dentro e Micaelly de “falsa 9”

Mas o jogo que definiu o acesso das “Cabulosas” não foi tão fácil quanto parece. Com a vantagem construída já no fim do jogo de ida em Fortaleza, o Cruzeiro podia até perder o jogo por 1 gol de diferença e ainda assim alcançaria seu objetivo. O técnico Hoffman Túlio mandou a campo a equipe que queria ter escalado no jogo de ida. O gol de Camila foi protegido pela linha defensiva formada por Lia e Pires no miolo de zaga e Janaína e Eskerdinha nas laterais. Na cabeça de área, Isabela e Duda formavam uma dupla de suporte a Vanessa, centralizada, que tentava servir a Miriã pela direita e Thayane na esquerda, com Micaelly fazendo a função na frente.

Já o Ceará, por sua vez, não tinha outra alternativa senão se lançar ao ataque, pressionar e tentar fazer um gol logo cedo. E foi isso que aconteceu. As visitantes subiram a marcação no início do jogo e dificultaram muito as ações com bola das jogadoras celestes. A dificuldade na saída de bola se traduzia em bolas longas, que quase sempre eram recuperadas pela zaga do Ceará, e assim um novo ataque era iniciado. Porém, a defesa bem postada do Cruzeiro não permitiu maiores finalizações por parte do adversário, exceção feita a um chute de fora de Jady que passou por cima do gol de Camila.

Nas poucas vezes em que conseguia sair, faltava ao Cruzeiro um capricho maior na hora de construir, e os erros de passe devolviam a bola ao adversário. Mas com o passar do tempo, o Ceará deixou de pressionar alto. O Cruzeiro assim conseguiu sair tocando de trás com mais facilidade. Além disso, as trocas de passe no terço final melhoraram. Micaelly, que até aquele momento tinha poucos toques na bola, começou a cair pelo lado esquerdo na costas da lateral adversária e encontrou muito espaço pra ser lançada. Por ali gerou boas chances. Deu dois belos passes pra Thayane, de frente, finalizar, mas em ambos a camisa 21 desperdiçou.

O jogo foi pro intervalo com a sensação de que o Cruzeiro havia equilibrado as ações e até sendo superior no meio-campo. Duda e Isabela faziam uma dupla de volantes muito entrosada. Quando uma subia pra pressionar, a outra já estava perto pra fazer a cobertura. Se uma subia de cabeça, a outra já tentava pegar a segunda bola. E assim o Cruzeiro controlou o meio, e também o jogo.

Não por acaso, assim saiu o primeiro gol. Duda deixou a bola escapar num lance no meio, mas conseguiu se recuperar e dar um toque na bola pra Isabela mais atrás. A camisa 17 acionou Janaína na direita, que tabelou com Vanessa e serviu Thayane na marca do pênalti com um passe rasteiro. Dessa vez ela não perdeu e colocou o Cruzeiro em vantagem.

O gol foi um baque para as cearenses. A vantagem do Cruzeiro, que já era grande, ficou ainda maior. Duda e Isabela seguiam vencendo duelos no meio-campo e ajudando na frente. Numa dessas, Duda dominou de cabeça uma rebatida de Lia e chapelou Jady, que fez falta e levou o amarelo. O controle era tal que o segundo gol não demorou a sair, novamente com protagonismo das volantes. Em jogada sendo trabalhada pela esquerda, Isabela recebe o passe, vê Janaína passando do outro lado, tenta a inversão, mas é curta. Duda disputa a rebatida, consegue o passe pra Thayane que devolve de primeira. Duda corta a marcação e aciona Janaína, que continuava livre na direita. A lateral invadiu a área e tocou no canto da goleira Tati.

Com a imensa vantagem, o Cruzeiro tirou o pé e se contentou em controlar as investidas do Ceará. Recuou suas linhas e tentava ativar Miriã, Micaelly e Vanessa pelos lados com bola longa, sem muito sucesso. E o Ceará não conseguia conectar mais passes incisivos, sem incomodar a última linha do Cruzeiro. Camila pouco trabalhou. Na verdade, a grande vantagem que o Cruzeiro tinha dava mais confiança para as atletas celestes e minava o ânimo das cearenses, naturalmente.

Hoffmann fez suas trocas, mas apenas para dar mais fôlego e não deixar cair o ritmo. Isa Leone entrou na vaga de Janaína e Jajá entrou no lugar de Pires, em duas trocas diretas. Vanessa cedeu seu lugar à volante Nathália, reforçando o meio-campo ainda mais. Não havia necessidade. O gol de honra do Ceará só saiu por causa de um erro do Cruzeiro, um tiro de meta mal cobrado por Jajá que caiu diretamente no pé de uma adversária já perto do gol. Cruzamento, e Maria Vitória venceu Lia pelo alto pra encobrir Camila e descontar.

Não importava. Era o finzinho do jogo e o grito de alegria já estava preparado na garganta. Foi só esperar o apito do juiz e comemorar um feito histórico.

E que venham as semifinais. Avante, Cabulosas!

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