Linhas de ônibus

(originalmente publicado no site Diário Celeste)

Quem mora em Belo Horizonte, e certamente quem estuda ou estudou na PUC/MG, com certeza já ouviu falar da linha Dom Cabral/Anchieta, o famoso 4111. Dentre tantas opções, escolhi essa linha para esta introdução justamente por ser uma das mais parecidas com um esquema tático, os famosos numerozinhos que colocamos separados por hífen para resumir a distribuição tática de uma equipe em campo. Muitas vezes, algumas pessoas os chamam de “linha de ônibus”, quase sempre pejorativamente: alguns porque acham que tática não é importante (coitados) e outros porque acham que o esquema em si não é importante, o importante é o resto.

Este colunista discorda dos dois pontos de vista. O esquema — que também pode ser chamado de sistema tático — tem lá sua importância, pois é uma boa síntese de como os jogadores estão distribuídos em campo. Em tempos de redes sociais, você consegue dar uma boa dose de informação com apenas 5 ou 7 caracteres, dependendo do número de linhas de marcação.

Que é exatamente o que esses números representam: a quantidade de jogadores em cada linha de marcação do time. Repetindo o que disse na coluna anterior: não tem absolutamente nada a ver com a “posição de origem” do jogador, e sim com o lugar do campo que ele ocupa, o posicionamento inicial. Dizer que um time está no 4-2-3-1 não significa necessariamente que só haja dois volantes no time, ou apenas um atacante. O que isso diz é que um jogador faz o primeiro combate, atrás dele há uma linha com três, e depois uma dupla protegendo a última linha defensiva. Muitos autores inclusive gostam de usar o formato 1-4-2-3-1, para destacar o papel cada vez mais importante que o goleiro exerce em todas as fases do jogo, tanto com quanto sem a bola.

Mas reconhecer o sistema tático gera debates. Primeiro porque sabemos que futebol não é totó: os jogadores não ficam sempre alinhados uns aos outros. Eles se mexem, invertem de posição, ultrapassam e fazem cobertura. Por essa razão é mais fácil reconhecer o sistema na fase defensiva, particularmente no tiro de meta do goleiro adversário, pois é quando os jogadores retornam para suas posições iniciais, ou seja, o local do campo de onde saem para executar suas funções, e o ciclo do jogo começa novamente.

Além disso, existem diferenças sutis entre alguns sistemas, como é o caso do 4-4-1-1 e do 4-2-3-1. Ambos possuem uma linha de quatro, com dois jogadores centrais à frente dessa linha, mais um “meia” centralizado atrás do “centroavante”. A diferença é o posicionamento dos dois jogadores abertos, a quem chamo de ponteiros (para diferenciar dos pontas de antigamente). No 4-4-1-1, eles recompõem alinhados à dupla de meio-campo, fazendo uma segunda linha de quatro. No 4-2-3-1, ficam ligeiramente mais à frente, na mesma linha do central.

Assim é o Cruzeiro de Deivid. Nomes e números foram tirados de propósito. O que você enxerga? 4-2-3-1 ou 4-4-1-1?

É o caso do Cruzeiro de Deivid no amistoso contra o Rio Branco. Henrique e Ariel faziam a dupla de centro, sem definir o papel de “primeiro” e “segundo volante” — coisa obsoleta no futebol atual. Arrascaeta e Willian ficavam mais à frente, naturalmente. Mas os ponteiros Marcos Vinícius e Alisson faziam uma transição defensiva agressiva: assim que o Cruzeiro perdia a bola, eles subiam a marcação no lateral adversário, ao invés de voltar para ocupar o espaço à frente do lateral do seu lado. Com isso, muitos leram o sistema tático como um 4-2-3-1, enquanto este colunista preferiu ler o sistema num 4-4-1-1, pois não os vi alinhados a Arrascaeta em nenhum momento do jogo, e portanto não poderia colocá-los na mesma linha de marcação do uruguaio. Até mesmo o próprio Deivid, em entrevista recente, afirmou que é um 4-2-3-1 com a bola, e um 4-4-1-1 sem.

Por outro lado, algumas situações não dão essa margem de interpretação. O Cruzeiro de Mano, como dito pelo próprio em uma declaração dada para o PVC, jogava em duas linhas de quatro, com Willians aberto pela direita, depois Arrascaeta e Willian à frente: um 4-4-1-1. O que é muito diferente do 4-3-3 que alguns analistas pregam, pois este sistema considera um triângulo no centro do meio-campo, com um jogador mais recuado e outros dois ligeiramente mais à frente. A era Mano até começou assim, com Henrique sendo esse jogador único centralizado à frente da defesa. Mas na reta final do Brasileirão 2015, ele ficava alinhado a Ariel e Willians, e também a Marcos Vinícius ou Allano, dependendo de quem fosse o ponteiro esquerdo.

Mais importante, porém, é a análise não se prender somente a isso. Pois, como dito, o sistema tático é um resumo útil da distribuição espacial dos jogadores, algo para facilitar o entendimento. Uma boa análise deve se expandir em cima dele e não se limitar a ele. Devemos responder as perguntas: o que o jogador faz quando o time dele está com a bola? De que forma? Para onde se mexe? E quando o time dele está defendendo, qual o comportamento? São os princípios de jogo que o treinador define previamente, e a cujo conjunto chama-se de modelo de jogo.

Ou seja, da mesma forma que defendo que o sistema tático tem sim sua importância, reconheço a sua limitação. Resumidamente, podemos dizer que a posição de origem é o “o que”, o posicionamento inicial (e portanto, o esquema) é o “onde” e o modelo de jogo seria o “como”, o “quando” e o “por que”.

Hoje, muitos analistas táticos, ao escreverem sobre uma partida, preferem até nem dar o sistema. Nesses casos, é realmente desnecessário, pois o resto da análise é mais importante. Mas se algum comentarista falar sobre um sistema e não comentar além disso, desconfie. E desconfie ainda mais se ele disser que o esquema X é “melhor” ou “mais ofensivo” do que esquema Y, sem dissertar mais sobre o modelo de jogo.

Resumindo: da próxima vez que você ouvir alguém falando que o time joga num sistema qualquer (inclusive este colunista), entenda mas questione: “ótimo, e o que mais?”

 

Até semana que vem.



De Mano pra Deivid: como foi e o que esperar

(originalmente publicado no site Diário Celeste)

Estou de volta. Não que eu tenha ficado tempo suficiente escrevendo aqui n’O Diário Celeste pra alguém sentir falta, mas acontece que eu também senti um pouco de vontade de voltar a escrever. Então aqui estou. A ideia, no entanto, é escrever com menos frequência, talvez semanalmente, ao invés de fazer um texto por jogo. Como o calendário do futebol brasileiro é bem apertado, o texto tinha que sair quase que imediatamente após a partida, pois nos dias seguintes o assunto já era o próximo jogo. Além disso, cada texto me tomava umas duas horas, entre escrever e preparar as imagens. Tempo demais que eu achei deveria ser aproveitado de outra forma.

Mas chega de explicações. Inclusive, esse é um outro objetivo: ser menos prolixo. E também falar de outros assuntos, e não apenas de tática, que deixará de ser o único assunto para ser o principal.

Retrospectiva 2015

Quando parei de escrever, o técnico do Cruzeiro ainda era Marcelo Oliveira, com seu fiel 4-2-3-1. Esquema que, apesar de ser o mesmo 13/14, era executado de forma bem diferente. O bicampeão era propositivo, vertical e pressionava a saída do adversário; o de 2015 abdicava da posse, precisava de contragolpes e preferia marcar no seu campo. Clássico exemplo: mesmo clube, mesmo treinador e mesmo esquema, mas modelos de jogo diferentes.

Depois da eliminação na Libertadores, o Cruzeiro trocou MO por Vanderlei Luxemburgo. Uma escolha que se deu muito mais pela memória afetiva do presidente Gilvan do que por observação do mercado. Luxa chegou com três vitórias seguidas, mas logo o trabalho parou de dar resultado. Acontece com qualquer time que não tem um modelo de jogo bem definido. A situação era tão grave que Luxa conseguiu unificar as duas facções da torcida que se formaram após a demissão de Marcelo Oliveira: os que queriam a queda e os que não queriam. Todos eram a favor da queda de Luxa, no entanto.

Enfim, Gilvan cedeu à pressão e Mano Menezes chegou, mas foi Deivid quem dirigiu o primeiro jogo, contra a Ponte Preta. Usou um 4-1-4-1, que Luxa chegou a tentar e abandonou, mas com uma mudança: Henrique entre as linhas e Willians mais avançado. Vitória e ânimo renovado que encheram o Mineirão para a estreia de Mano no jogo seguinte contra o Figueirense. Mano manteve as ideias de Deivid, mas colocou Willian Bigode como referência móvel, à frente do meio-campo. Naquele dia, ele fez quatro dos cinco gols do time. Melhor estreia impossível.

Aos poucos, Mano foi testando pequenas variações. Inicialmente, colocou Alisson à direita e deu instruções a Willians para cobrir o lado, com Henrique subindo para preencher o lugar dele. Configurava-se ali o 4-4-2, que a princípio era apenas uma variação defensiva, mas que deu certo e foi se tornando a plataforma base da equipe. Registrei isso no dia seguinte à vitória contra a Chapecoense em SC:

Na partida contra o Atlético/PR, Arrascaeta começou no banco, pois voltava de um jogo do Uruguai pelas eliminatórias. Foi acionado por Mano no segundo tempo, modificando mais uma vez o sistema: o 4-4-2 dava lugar ao 4-4-1-1, que é bem semelhante, mas com Arrascaeta tendo liberdade de jogar por trás de Willian. Esse foi o sistema que perdurou até o fim do campeonato, como dito pelo próprio Mano em uma declaração dada para o PVC.

A escolha de Deivid

Antes do fim do campeonato, Mano Menezes já havia sido seduzido pelo dinheiro e estabilidade no cargo que os chineses ofereceram. Ali, a diretoria começou uma busca e até chegou a entrevistar alguns treinadores, pelo que li. No fim, em um movimento corajoso, escolheu não um currículo ou um treinador formado, mas a continuidade: Deivid, membro da comissão permanente do clube, foi alçado a treinador principal.

É claro que houve questionamentos, inclusive deste que vos escreve. Deivid ainda precisa de mais experiência neste cargo, e ainda está com sua formação em andamento. Porém, é uma escolha que reflete a disposição da nova diretoria em criar uma filosofia de jogo para o clube como um todo, e não apenas para uma temporada. Algo que, em tese, deve continuar de um treinador pra outro.

Essa atitude mostra que Bruno Vicintin e Thiago Scuro estão indo para a linha de frente, sem se esconder atrás de um treinador figurão, que tem as costas largas. Resta saber se terão força para aguentar as críticas e a pressão que certamente virá das arquibancadas e da imprensa tão logo venha o primeiro resultado negativo — algo que infelizmente ainda faz parte da cultura do torcedor brasileiro. E aqui incluo também os membros do conselho deliberativo e até o próprio presidente.

Conceitos mantidos

Logo nos primeiros treinos, Deivid já mostrou que daria continuidade ao trabalho de Mano. Mesmo com as contratações, o primeiro time inicial do ano deve ser bem parecido com o que terminou 2015, inclusive no esquema tático e no modelo de jogo. É o mesmo 4-4-1-1, apenas com a Marcos Vinícius como ponteiro direito na vaga de Willians, que ao que parece deve ser negociado.

Alguém pode perguntar: mas essa troca não muda o esquema tático? A resposta certa é: depende. O esquema tático é determinado apenas e tão somente pelo posicionamento inicial dos jogadores, ou seja, o lugar do campo de onde eles partem para executar suas funções em cada fase do jogo (fase ofensiva, fase defensiva e transições). A “posição de ofício” dos jogadores nada tem a ver com o esquema. Assim, se um meia entra no lugar de um volante, mas no mesmo lugar do campo, o esquema se mantém, ainda que eles façam funções diferentes.

Se você tiver dificuldade em entender, basta pensar neste exemplo: imagine que Mayke e Fabiano não estão disponíveis, então Léo vai pra lateral direita. Muda o sistema? Não, continuaria sendo uma linha defensiva com quatro, apenas com um zagueiro “de ofício” posicionado à direita dela. Outro exemplo: zagueiros que jogam como volantes (David Luiz no Chelsea de Mourinho) não fazem o sistema mudar para 3-5-2 ou 3-6-1.

É por essa razão que não me canso de repetir no Twitter: o esquema tático é só o início da análise tática. Qualquer debate que se encerre apenas no sistema é incompleto. É aí que entra o modelo de jogo, que é COMO o time joga em cada fase do jogo. Releia o terceiro parágrafo e você vai ter exemplos de modelo de jogo diferentes no mesmo esquema.

Mas qual era o modelo de jogo do Cruzeiro sob Mano? Pelas minhas observações, que certamente podem ser falhas, os princípios são: sem a bola (fase defensiva), compactação e marcação zonal, ou seja, o jogador ocupa o espaço, tendo como referência os companheiros, e não um adversário; quando a bola é roubada (transição ofensiva), passes curtos desde a defesa, sem apelar pro lançamento longo; no campo de ataque (fase ofensiva), mobilidade constante dos homens da frente para tirar a referência do adversário; e ao perder a bola (transição defensiva), atrasar a saída do adversário o máximo possível, para dar tempo ao resto da equipe para se recompor.

Talvez Deivid faça pequenas mudanças, mas nada que altere esse quadro geral. Pelo menos é a minha aposta. Pra confirmar, só mesmo observando os jogos.

 

É isso aí, esse é o meu texto de reestreia. Espero que tenham gostado e até semana que vem.



Somos todos feitos de estrelas

Versão curta e rápida: o blog Constelações suspenderá suas atividades por tempo indeterminado.

O “big bang”

Duvido que alguém saiba disso, mas o blog Constelações começou ainda em 2012. Empolgadíssimo por ter descoberto o mundo das análises táticas no futebol no ano anterior — que terminou naquele 6×1 — este escriba resolveu unir esta nova paixão com uma antiga: o Cruzeiro. Assim nasceu o único blog de análises táticas dedicado a um time só. Talvez já não seja o único, mas sem dúvida foi pioneiro nesse formato.

Totalmente auto-didata, no início decidi escrever apenas para treinar. Não fazia divulgação, sequer para amigos. Portanto, eu escrevia só pra mim. A razão maior, porém, era que eu tinha era medo dos trolls. Não estava preparado para receber comentários odiosos de gente que só quer tumultuar (talvez ainda não esteja). Só depois de sentir confiança é que abri o blog, primeiro para amigos cruzeirenses próximos, para testar a reação.

Com o retorno positivo, comecei uma tímida divulgação, a partir de meados de 2012. Desde então, o blog só cresceu. Em acessos, em popularidade. Comecei a comentar os jogos ao vivo no Twitter, e com isso fui angariando mais audiência e mais seguidores. Chamei tanta atenção que fui convidado a ser colunista de um grande portal de conteúdo do Cruzeiro, o Diário Celeste, no início de 2015.

Foi quando o alcance dos meus textos chegou num ponto que eu nunca pude imaginar. Com muito mais seguidores do que eu, os textos do Diário chegaram aos computadores de dezenas de milhares de pessoas. Gente importante do jornalismo brasileiro começou a ler os meus textos. Outros analistas táticos começaram a me olhar como pares — algo que nunca entendi direito, já que não me julgo merecedor de tal honraria.

Foram três anos e meio em que tudo isso era feito com um único combustível: o amor ao Cruzeiro e à análise tática (nessa ordem). E pelo fato de não ser a minha ocupação principal, eu sempre tinha que escrever os textos nos meus horários livres. E até o momento, isso bastava.

Mas a vida nos leva por outros caminhos, e nesses caminhos há outras prioridades. O tempo disponível já não seria tão grande. Com pesar, tive que decidir pela suspensão das análises profundas aqui no blog. Talvez algum dia elas voltem, afinal, depois de uma estrada sempre há outra estrada.

Coisas que ninguém sabia

Pra não ficar um texto muito melancólico, aqui vão algumas curiosidade engraçadinhas.

  • Os diagramas táticos, também conhecidos como “campinhos”, são todos produzidos por mim usando um software de edição de imagens.
  • Nestes campinhos, propositalmente não uso os números do jogadores, apenas os nomes. Isso porque o número da camisa não tem nenhuma relevância na análise tática e usá-lo poderia confundir o entendimento (“camisa 10 na ponta direita, como assim?”).
  • Os campinhos são no formato vertical, e não no horizontal como é o “padrão” dos outros blogs de tática, por uma razão muito simples: nessa orientação, o lateral direito fica do lado direito, o esquerdo no esquerdo, a zaga fica embaixo, ou “atrás” e o ataque em cima, ou “à frente”. Além disso, facilita o entendimento de expressões como “marcação no alto do campo”, ou “o volante afundou entre os zagueiros”.
  • No início, os campinhos tinham a mesma proporção do Mineirão antigo (110 x 75m). Pós-reforma, mudei para a nova proporção (105 x 68m), e adicionei as traves.
  • O tom de azul que marca os jogadores do Cruzeiro nos campinhos é o recomendado pelo próprio clube no seu manual de aplicação da marca.
  • Na imagem de fundo do blog, há quatro constelações: em cima, a Raposa e o Cruzeiro do Sul, que são constelações que existem de verdade; do lado esquerdo, um conjunto de estrelas que representa o esquadrão de 1966, no seu 4-3-3 característico (repare na estrela amarelada no gol e como a estrela “Tostão”, na meia esquerda, brilha mais que as outras); e do lado direito, o histórico time da Tríplice Coroa de 2003, com o 4-3-1-2 losango que Luxemburgo armou para dar liberdade a Alex, a “estrela alfa” daquela equipe.

Pequenos detalhes que me faziam feliz, mesmo que ninguém soubesse deles.

Agradecimentos

Importante agradecer a todos aqueles que, direta ou indiretamente, contribuíram para que o blog Constelações fosse o que é hoje.

  • Eduardo Cecconi, o pioneiro, o verdadeiro desbravador da selva com a foice na mão, que abriu caminho para vários outros com seu finado blog Preleção e depois com o blog Tabuleiro no Globo Esporte;
  • André Rocha, cuja própria história é inspiração para muitos: um torcedor comentarista de blog que ganhou uma coluna pelo excelente conteúdo de suas palavras e não parou mais de crescer. Agradeço pela oportunidade de poder colocar um texto em seu blog da ESPN, quando eu era ainda muito “verde” no assunto;
  • Leonardo Miranda, Caio Gondo, o perfil @cruzeirotatico do Twitter e tantos outros seguidores no microblog, com os quais tive debates muitíssimo enriquecedores. Só tive o que aprender com estes mestres;
  • Aos autores dos textos nos portais Taticamente Falando e A Prancheta Tática, que nos brindam com excelentes análises de vários jogos, fontes excelentes de conhecimento;
  • Jonathan Wilson, autor do livro “Invertendo a Pirâmide”, e Michael Cox, do site “Zonal Marking“, que não devem nem saber da minha existência, mas que são óbvias fontes de inspiração. Leiam o livro e visitem o site!

“We are all made of star-stuff”

O famoso astrônomo Carl Sagan uma dia disse que “somos todos feitos de estrelas”. Isto porque, de acordo com a teoria vigente, todos os átomos existentes no Sistema Solar foram criados a partir do hidrogênio existente dentro de uma estrela, que após completar o seu ciclo, explodiu e deu origem ao nosso Sol e aos planetas.

Assim, tal qual uma estrela que morre mas deixa seu rastro por toda a parte, o Constelações suspende suas atividades, mas não desaparece por completo. Pois se o blog conseguiu plantar a sementinha sobre o assunto na cabeça de muita gente que o desconhecia, se conseguiu ao menos derrubar o muro do preconceito em relação a isso que existe no Brasil, já terá cumprido o seu papel. E estará por aí, na forma do interesse despertado, da informação mais completa, da visão do jogo por um outro prisma que não o da técnica individual.

Obrigado a todos, até breve, abaixo a ditadura do 4-4-2, e finalmente e mais importante: #FechadoComOCruzeiro!



Huracán 3 x 1 Cruzeiro – O humano e o desumano

Pouco mais de dois dias após um jogo de alta intensidade, o Cruzeiro voltava a campo para jogar. Fez bons minutos iniciais, levando alguns sustos mas aplicando alguns também, mas dois terríveis erros defensivos mudaram a história do jogo. Mesmo após os gols, o Cruzeiro continuou tendo alguma iniciativa e até conseguiu diminuir no início da segunda etapa, apenas para ver sua reação morrer com mais um erro defensivo e o esgotamento físico.

Escalações

Com Henrique se movendo entre a ponta e o centro, o Cruzeiro variava entre um 4-2-3-1 e um 4-3-1-2, com Mena dando amplitude pela esquerda e Willians ajudando Mayke pela direita, com Willian circulando

Com Henrique se movendo entre a ponta e o centro, o Cruzeiro variava entre um 4-2-3-1 e um 4-3-1-2, com Mena dando amplitude pela esquerda e Willians ajudando Mayke pela direita, com Willian circulando

Com Alisson vetado, Marcelo Oliveira surpreendeu e escolheu Willian Farias para o seu lugar. Três volantes? Mais ou menos. O time foi a campo num 4-2-3-1, mas com uma variação com a movimentação de Henrique. A meta de Fábio era defendida por Mayke à direita, Léo e Paulo André no centro e Mena pela esquerda. À frente da área Willian Farias ficava mais fixo, liberando Willians para ajudar no ataque pela direita. Henrique variava entre as funções de ponteiro e volante esquerdo, com Willian do outro lado, De Arrascaeta centralizado e Damião na frente.

O Huracán do treinador Néstor Apuzzo também entrou no 4-2-3-1. A linha defensiva do goleiro Díaz tinha Nervo e Domínguez na zaga, com Mancinelli pela direita e Balbi na lateral esquerda. Na proteção, os volantes Villaruel e Vismara davam suporte ao trio formado por Puch na ponta direita, Toranzo central e Gamarra pela esquerda. Na referência, Abila.

Entendendo o sistema

Ter jogado um clássico de alta intensidade 48 horas antes não resultou apenas no veto a Alisson. Marcelo revelou após a partida que a entrada de Willian Farias era para aliviar a barra de Willians, tendo a companhia de outros dois jogadores marcadores no centro. De fato, Henrique começou o jogo bem centralizado, tentando fechar a entrada da área. Mas logo recebia instruções de Marcelo Oliveira para marcar o avanço do lateral Mancinelli, que tinha o corredor livre.

Assim, sem a bola, o Cruzeiro se configurava num 4-2-3-1, com Henrique na ponta. Quando o Cruzeiro recuperava a bola, Henrique tentava explorar o espaço entre o centro e a ponta esquerda, participando da construção e abrindo o corredor para Mena apoiar. Do outro lado, Marcelo Oliveira dava orientações para Willian estreitar no campo e abrir o corredor para o avanço de Mayke, outro objetivo deste esquema.

Errou, pagou

Depois de uma certa pressão inicial, da qual o Cruzeiro se defendeu muito bem, o jogo passou a ficar bem equilibrado. O Cruzeiro teve boas oportunidades, mas pecava ou no último passe ou na finalização. Em suma, na fase ofensiva, faltou apenas um capricho maior.

O problema do 1º tempo foi a transição ofensiva. O Huracán tentava pressionar imediatamente após a perda da bola, inclusive fazendo várias faltas, algumas não marcadas pelo juiz. Como a que Damião sofreu antes do 1º gol. Willians até recuperou a bola, mas foi displicente e tentou driblar numa área perigosa, sem sucesso. Ainda por cima, Abila estava impedido quando o passe saiu. Fábio até conseguiu adivinhar o lado do drible, mas não conseguiu pegar a conclusão.

Errou, pagou (II)

Mesmo depois do gol, o Cruzeiro não se abateu. Continuou jogando da mesma forma, inclusive nos erros: o passe final ou a conclusão. Mas em outro erro na transição, desta vez mais coletivo, redundou no segundo gol argentino. Mena estava fora da sua posição quando o Cruzeiro perdeu a bola, fazendo Paulo André sair na cobertura pela esquerda e ficar no um contra um com Puch. O atacante do Huracán teve mérito no drible, e conseguiu achar um cruzamento para dentro da área que achou Abila, totalmente livre — nem Mayke nem Léo viram a movimentação do centroavante.

No segundo gol, erros em série: Paulo André é driblado por Puch, Mena sai na cobertura mas não impede o passe e ainda deixa o espaço para Abila receber a bola, com Mayke e Léo estáticos

No segundo gol, erros em série: Paulo André é driblado por Puch, Mena sai na cobertura mas não impede o passe e ainda deixa o espaço para Abila receber a bola, com Mayke e Léo estáticos

A partir daí, o Huracán parou de pressionar alto. Deu a bola para o Cruzeiro e se contentou em absorver a pressão. O Cruzeiro se moveu até onde suas pernas aguentavam. Teve volume, e iniciava as jogadas já no campo de ataque. Teve algumas “meias chances” de diminuir, mas não conseguiu abrir a defesa argentina com clareza até o fim do primeiro tempo.

Gabriel Xavier

Após o intervalo, o Cruzeiro voltou com Gabriel Xavier na vaga do extenuado Willians. Com isso, Henrique voltou à volância ao lado de Willian Farias, e Willian inverteu de lado para que Gabriel Xavier entrasse à direita, fazendo um 4-2-3-1 mais claro. Com o jovem meia, o Cruzeiro voltou gastando as últimas forças que tinha para recuperar o placar, e aplicou uma boa pressão inicial.

De Arrascaeta caía pelos lados mas também entrava na área, com Gabriel Xavier centralizando, abrindo o corredor pra Mayke. Posteriormente, Marcelo ordenou a inversão dos ponteiros, com Willian vindo para o lado direito, mas a dinâmica continuou a mesma: ponteiros centralizando para o lateral apoiar. Foi numa dinâmica dessas que veio o empate: Mayke subiu e cruzou, achando Gabriel Xavier dentro da área do outro lado. O meia fez a assistência pra Damião, que acabou sofrendo pênalti antes de concluir, convertido por ele mesmo.

Destruindo a reação

Fim de jogo: Cruzeiro no 4-2-3-1 mais claro, mas extenuado, tentando algo pelos flancos com Riascos e Pará, mas sem físico para marcar o 4-4-2 do Huracán

Fim de jogo: Cruzeiro no 4-2-3-1 mais claro, mas extenuado, tentando algo pelos flancos com Riascos e Pará, mas sem físico para marcar o 4-4-2 do Huracán

A postura que o Cruzeiro mostrava em campo dava a impressão de que o empate era uma questão de tempo, já que continuou tendo mais volume e iniciativa. Mas outro erro defensivo destruiu o bom momento celeste. Em uma falta boba longe da área, o Huracán optou por fazer o jogo aéreo. Em bolas paradas, o Cruzeiro faz marcação individual. Damião, que era o marcador de Mancinelli, simplesmente não acompanhou o lateral, que conseguiu chegar à bola e testar no contrapé de Fábio.

A partir daí, o cansaço finalmente bateu forte, e o Cruzeiro já não tinha mais forças para correr e abrir a defesa do Huracán. Pior, também marcava mais frouxo, perdia segundas bolas, e começou a dar espaço para o time argentino. Marcelo ainda tentou reequilibrar, com Riascos e Pará nas vagas de Willian e Mena — jogadores descansados pelos lados. Eles até conseguiram alguns cruzamentos, mas nada muito perigoso. E o setor de meio-campo ainda continuava cansado, de forma que o jogo se arrastou até o fim com o Huracán tendo a bola e controlando o jogo.

Lições e aprendizados

Falhas defensivas acontecem. Sempre aconteceram com qualquer time, e continuarão a acontecer. Certamente você se lembra daquele 0x3 para o Flamengo no Maracanã ano passado. Prova de que mesmo os times comprovadamente bem treinados e até já campeões cometem erros que culminam em derrotas. Mas isso não quer dizer que não se deva cobrar dos jogadores que cometeram essas falhas. É preciso que Marcelo corrija estes erros na transição, que é um momento muito vulnerável da equipe. Não é por acaso que a pressão alta é uma grande vedete no futebol moderno.

Além disso, é impossível desconsiderar o fator físico em qualquer análise sobre o jogo. Detratores dirão que o cansaço não é desculpa, já que o time sofreu dois gols em cinco minutos. É verdade, em erros defensivos não ocasionados pelo cansaço. Mas este aspecto interferiu diretamente na escalação, na estratégia e até o modelo de jogo da equipe. Não há como dizer que não influenciou o jogo desde o minuto 1.

Essa é a lição que se tem que tirar deste jogo. Nem vou entrar na controvérsia das datas dos jogos semifinais, que já foi muito explorada. Como já está definido que será novamente domingo, é preciso que se saiba dosar a intensidade, ainda que seja um clássico. A vantagem do empate pode pesar a favor, já que é o rival que terá que vencer para passar, e para isso terá que correr mais e propor o jogo.

Marcelo certamente sabe disso e usará esses aprendizados para tomar a melhor decisão em relação à escalação e à estratégia. Nós, torcedores, podemos discordar delas. Mas durante o jogo, devemos apoiar os onze, não importa quem sejam ou o que estão fazendo em campo.



Atlético/MG 1 x 1 Cruzeiro – Jogando de maneira Horto-doxa

O Cruzeiro foi ao Horto mais uma vez para tentar acabar com a incômoda sequência negativa sem vitórias diante do rival. E seguiu o plano à risca do início ao fim: marcar bem e jogar quando possível, correndo o mínimo de risco necessário

Acabou fazendo um jogo seguro na defesa e com boa criação ofensivamente, até sofrer o gol, e depois empatou em gol antológico de De Arrascaeta. E nem mesmo a expulsão de Leonardo Silva fez o time abandonar sua estratégia ortodoxa, quando poderia ter saído com uma vitória.

Sistemas iniciais

No 1º tempo, os dois times no mesmo esquema e estratégia: 4-2-3-1 muito cautelosos, com muita gente atrás da linha da bola na fase defensiva; no Atlético, Guilherme saía da referência para armar

No 1º tempo, os dois times no mesmo esquema e estratégia: 4-2-3-1 muito cautelosos, com muita gente atrás da linha da bola na fase defensiva; no Atlético, Guilherme saía da referência para armar

Mesmo tendo jogo já na terça-feira, Marcelo Oliveira só poupou Mayke, e mesmo assim porque ele tinha desgaste excessivo. Assim, o time foi armado no 4-2-3-1, com a linha defensiva de Fábio começando com Fabiano na lateral direita, Léo e Paulo André na zaga e Mena na esquerda. Willians e Henrique novamente fizeram a parceria na proteção, atrás de Willian à direita, De Arrascaeta centralizado e Alisson à esquerda. Na centroavância, Damião.

Levir Culpi também mandou o Atlético a campo num 4-2-3-1. Protegendo o gol de Victor estavam Leonardo Silva e Jemerson, com Marcos Rocha na lateral direita e Douglas Santos do outro lado. Josué entrou na vaga do suspenso Leandro Donizete, com Rafael Carioca a seu lado e dando suporte à linha de três meias, que tinha o ponteiro direito Luan, o central Dátolo e o ponteiro esquerdo Carlos, deixando Guilherme livre para flutuar entre o meio e o ataque, quase como um “falso nove”.

Excesso de cautela

O jogo começou com os dois times com muito receio de se exporem aos ataques adversários. Nenhum marcava agressivamente no campo de ataque, preferindo fechar os espaços a partir da linha divisória, algo que contrariava a expectativa em relação à estratégia do Atlético, já que era o mandante e tinha que inverter a vantagem. Dessa forma, os zagueiros tinham bastante tempo na bola, e às vezes ficavam tocando um para o outro tentando achar a melhor saída.

Nesse ponto, as estratégias divergiram. O Cruzeiro preferia sair pelo chão, usando bastante as laterais do campo, principalmente o lado esquerdo com Mena e Alisson. Foi numa jogada dos dois que Damião completou o cruzamento do chileno na trave, logo as 7 minutos. Já o Atlético preferia usar bolas longas e inversões de um lado a outro do campo pelo alto.

O baixo número de finalizações no 1º tempo ilustra bem a postura dos dois times: Cruzeiro (vermelho) só finalizou uma vez contra 3 do Atlético (azul)

O baixo número de finalizações no 1º tempo ilustra bem a postura dos dois times: Cruzeiro (vermelho) só finalizou uma vez contra 3 do Atlético (azul)

Festival de cartões

Isso tudo em meio a uma festa de amarelos: foram 7 entre os 10 e os 34 minutos, um a cada 3 minutos e meio. Alguns muito mal aplicados, como foi o caso de Léo e Leonardo Silva pré-escanteio. O de Léo em particular forçou Marcelo a fazer a primeira troca já no primeiro tempo, colocando Manoel na vaga de Léo para prevenir uma muito provável expulsão posterior.

A partir dessa troca, o Atlético começou a tentar pressionar o Cruzeiro logo que perdia a posse, aumentando a velocidade do jogo e forçando o Cruzeiro a quebrar a bola. Com isso, o quarteto de frente, que até então estava até razoável, sumiu do jogo, e o Cruzeiro passou a se defender apenas. Mas fazia isso com muita segurança, já que o Atlético corria muito, mas não conseguia chegar próximo da meta de Fábio.

Infelizmente, o futebol não perdoa erros, por mais raros que eles sejam. Depois que o Cruzeiro perdeu a bola no ataque, Guilherme — que frequentemente saía da posição de avante e aparecia entre as linhas — ficou sozinho no círculo central, longe dos zagueiros e dos volantes do Cruzeiro, que estavam fora de posição. Com tempo e espaço, o ex-cruzeirense conseguiu inverter para Luan do lado direito, que cruzou para uma falha geral da zaga celeste, sintetizada em Fabiano perdendo na corrida para Carlos.

No lance do gol do Atlético, Guilherme está recuado e com muito espaço pra pensar, já que os volantes Henrique e Willians (destacados) estavam fora de posição; note também os dois zagueiros do Cruzeiro sem um adversário pra marcar

No lance do gol do Atlético, Guilherme está recuado e com muito espaço pra pensar, já que os volantes Henrique e Willians (destacados) estavam fora de posição; note também os dois zagueiros do Cruzeiro sem um adversário pra marcar

Jogo segue igual

No intervalo, Marcelo Oliveira novamente fez uma troca por causa do excesso de amarelos. Promovendo a estreia de Fabrício na vaga de Mena, que travava um duelo feroz com Luan no setor esquerdo. Mas a mudança esperada não veio: a de estratégia. O Cruzeiro continuou cauteloso, sem pressionar a saída sem colocar muita gente à frente da linha da bola.

Menos mal que, em uma jogada de Willians, avançando com inteligência nos espaços deixados pelo meio-campo atleticano, passou a De Arrascaeta, que quase perdeu a bola, mas num lance de pura genialidade deu no meio das pernas de Josué e driblou outros dois defensores rivais antes de vencer Victor com um tiro cruzado. Segundo golaço do garoto uruguaio na semana.

Finalmente, algo pra mudar o jogo?

Mesmo com o gol, o jogo seguiu igual, com os dois times ainda com receio de sair muito. Alguns minutos depois do empate, Damião e Leonardo Silva se estranharam e o zagueiro acabou expulso. Até a entrada de Edcarlos na vaga de Josué, Luan preencheu o lado direito da zaga, e depois voltou ao lado direito no novo 4-4-1 de Levir, com Dátolo ao lado de Rafael Carioca. Com a bola, o Atlético se tornava um ousado 4-2-3 com o avanço dos ponteiros.

Fim de jogo: Cruzeiro num 4-2-3-1 muito paciente, diante de um Atlético postado no 4-4-1 pra segurar as ações ofensivas celestes

Fim de jogo: Cruzeiro num 4-2-3-1 muito paciente, diante de um Atlético postado no 4-4-1 pra segurar as ações ofensivas celestes

Mas o jogo seguiu igual. Se o Atlético já estava cauteloso, com um a menos se postou atrás e tentou chamar o Cruzeiro para contra-ataques. Quando recuperava a bola, também não acelerava, pois não queria ceder o contra-ataque. Marcelo então lançou mão de Gabriel Xavier, tirando Willian da partida, numa tentativa de cadenciar mais a partida e tocar com paciência, para achar os espaços que um time com um a menos e atrás no placar naturalmente cederia.

Sem ímpeto no fim

Isso aconteceu em parte, já que o Cruzeiro tocou a bola com paciência e tentando não arriscar muito no último passe. Rodou a bola, mas os jogadores da frente não se movimentaram tanto para ajudar a criar espaços. Gabriel Xavier perambulou pelo meio, De Arrascaeta subiu para dentro da área e deixou o primeiro passe para os volantes. Não foi suficiente para entrar nas duas linhas do Atlético. Após a expulsão, o Cruzeiro só conseguiu dois chutes de fora da área e nada mais.

Já quando o Atlético recuperava a bola, o Cruzeiro não pressionava no alto do campo, o que era até compreensível, mas também não pressionava o homem da bola na intermediária defensiva. Os jogadores rivais conseguiam ter a bola em zonas bem próximas da área de Fábio, conseguindo faltas e escanteios perigosos. Felizmente, a equipe da casa nada conseguiu, e estava decretado mais um empate em clássicos pelo Campeonato Mineiro. Já são 5 nos últimos dois anos.

Dois lados de um tabu

É claro que o tabu de não vencer clássicos incomoda a torcida. Após o jogo choveram críticas de muitos torcedores, principalmente em relação à postura do time após a expulsão de Leonardo Silva. Apesar de exageradas, as críticas tem certo fundamento, pois a impressão que fica é que se o Cruzeiro tivesse arriscado um pouco mais teria conseguido sair do Horto com uma vitória.

Por outro lado, há muitas razões pelas quais o Cruzeiro não quis se arriscar. Além de ter a vantagem no confronto por ter melhor campanha, era um jogo na casa do rival, com a totalidade da torcida contra. Isso sem falar que o Cruzeiro jogará em menos de 48 horas na Argentina pela Libertadores, uma partida que é sim muito importante, mesmo que a classificação para as oitavas já esteja bem encaminhada.

Isto posto, é seguro dizer que esta foi uma das melhores partida do Cruzeiro no Independência, desde que os clássicos passaram a ter mando em 2013. Defensivamente foi uma equipe bem sólida, exceção feita ao erro coletivo que resultou no gol do rival. Com a bola, considerando a estratégia, foi razoável, criando boas oportunidades nos primeiros minutos. A única ressalva é em relação à postura após a expulsão, defensiva e ofensivamente.

Marcelo falou na coletiva que foi o primeiro clássico em que o Cruzeiro não foi dominado no Independência. De fato. E é um bom indício de que a sequência negativa diante do rival tem tudo pra terminar no fim de semana que vem.