Cruzeiro 3 x 1 Villa Nova – O dilema da centroavância

O título deste artigo é uma pegadinha. Quem lê rapidamente pode pensar que é uma crítica aos jogadores desta posição, mas não se trata disso. Na noite de quarta, Marcelo Oliveira encontrou, sem querer — ou não — uma solução para a repentina escassez de centroavantes que o Cruzeiro passou a ter com a lesão de Borges no último sábado. Com a venda de Vinícius Araújo, de repente Marcelo Moreno passou a ser a única opção “nativa” para a posição.

Falo dos quatro meias que jogaram em um determinado período do jogo, como veremos mais adiante. Para este blogueiro, foi o melhor momento da equipe na partida, em que pese o relaxamento que os jogadores já estavam àquela altura com o 3 a 0 no placar.

Formação

Cruzeiro no 4-2-3-1 costumeiro e com a movimentação que lembrou o time do ano passado; Villa numa formação muito adaptada para defender, com cobertura de João Paulo e Léo tendo que escolher o lateral que marcava

Cruzeiro no 4-2-3-1 costumeiro e com a movimentação que lembrou o time do ano passado; Villa numa formação muito adaptada para defender, com cobertura de João Paulo e Léo tendo que escolher o lateral que marcava

O Cruzeiro iniciou o jogo no mesmo 4-2-3-1 de sempre. Quem lê o blog já está acostumado e sabe de cor: Fábio no gol; Ceará e Egídio nas laterais e Dedé e Bruno Rodrigo no miolo; Souza mais preso e Lucas Silva mais solto como volantes, atrás de Éverton Ribeiro partindo da direita para dentro, Ricardo Goulart se movimentando no meio e Dagoberto mais espetado e mais à esquerda. Na frente, Marcelo Moreno brigando com os zagueiros.

Foi difícil definir um esquema para o time do Villa Nova. Paulinho Kobayashi — aquele mesmo — montou uma linha defensiva com quatro homens, mas o lateral Chiquinho preferia subir para bater com Egídio e com isso o volante João Paulo descia para a cobertura em Dagoberto — os dois se encontraram o jogo inteiro. Ferrugem ficou mais preso como volante à frente da área e liberava Igor para subir um pouco mais, mas o camisa 11 do Villa também teve mais atribuições defensivas que ofensivas. Mancini ficou na ligação e tentava encontrar os atacantes Léo, pelos lados, e Paulo Henrique, centralizado como referência. Algo como um 4-3-1-2, mas com o meio sem ser em losango.

Flanqueando o adversário

Essa formação tinha o objetivo de tirar os espaços do Cruzeiro em seu setor mais produtivo, o meio-campo ofensivo. Com ferrugem fazendo as coberturas, João Paulo grudado em Dagoberto e Igor cercando Éverton Ribeiro, e ainda tendo a ajuda em alguns momentos de Léo e Mancini, Kobayashi tentou vencer o setor pela tática da horda — quanto mais gente, mais difícil. Mas aqui cabe a metáfora do cobertor curto: se se coloca gente demais em um lugar, falta em outro. E nesse caso foi nas laterais.

Léo ficou mais pela direita no início do jogo e encontrava Egídio algumas vezes, mas do outro lado não havia ninguém para impedir Ceará de jogar. O lateral avançava tranquilamente até a linha divisória e entregava bolas limpas para os meias criarem, e até mesmo fazia jogadas de ultrapassagem encontrando Fábio Fidélis na linha de fundo. Quando Léo inverteu de lado, aí foi a vez de Egídio aproveitar, pois agora o lado esquerdo estava no mano a mano. E num avanço de Souza pela esquerda, a marcação do Villa ficou com gente a menos e saiu a tabela que originou o gol contra que abriu o placar.

Depois do gol, Léo retornou para a direita para tentar parar Egídio, mas o estrago já tinha sido feito. Mesmo assim, o lado esquerdo continuou sendo o mapa da mina, pois Dagoberto estava vencendo o duelo contra João Paulo, fazendo o segundo em uma jogada típica de ponteiro de pé trocado: destro na esquerda. Puxou para dentro, ficou de frente e emendou uma bola rasteira que imobilizou o goleiro Bráz.

Moreno

Quando disse no primeiro texto do ano que fiquei com um pé atrás em relação à contratação de Marcelo Moreno, me referia ao estilo de jogo que o boliviano-brasileiro pede: jogo de referência, homem-alvo na área. Isso tem uma vantagem e uma desvantagem. A vantagem é que acrescenta uma opção de estilo, a bola aérea ofensiva com bola rolando. O Cruzeiro fez muitos gols pelo alto no ano passado, mas quase sempre através de seus zagueiros e volantes, e em bolas paradas. Os meias e atacantes preferem usar os pés, mesmo dentro da área. Mas essa característica também é uma desvantagem: sendo um centroavante mais de força, típico homem-alvo, Moreno participa menos da construção das jogadas — Borges não participava muito, mas Moreno participa menos ainda. Isso pode eventualmente sobrecarregar o trio de meias, mas não chega a ser um problema, apenas uma opção por um estilo de jogo ou outro.

Com ele em campo, portanto, o Cruzeiro precisará se adaptar a estas características de seu jogador mais avançado, e começou a fazer isso nesta partida. Os laterais e ponteiros sempre buscavam o cabeceio do camisa 18, que teve muitas dificuldades em desenvolver seu jogo. Mas no fim do primeiro tempo, numa bola milimétrica de Éverton Ribeiro — aparecendo pela esquerda na troca de posições típica deste Cruzeiro — Moreno acertou um “cabeçazo”, forte, sem chances para Bráz. Primeiro gol dele no retorno, e todas as memórias da torcida celeste da Libertadores de 2008 voltaram naquele momento.

A “inovação”

No início do segundo tempo, Moreno deu lugar a Willian, e o Cruzeiro jogou sem centroavantes de ofício, com 4 meias que se movimentam muito: um inovador 4-2-4-0

No início do segundo tempo, Moreno deu lugar a Willian, e o Cruzeiro jogou sem centroavantes de ofício, com 4 meias que se movimentam muito: um inovador 4-2-4-0

No intervalo, Marcelo Oliveira optou por poupar Moreno pensando na Libertadores. Talvez fosse um medo de uma lesão que deixaria o Cruzeiro sem centroavantes. Com a entrada de Willian, era imaginado que Ricardo Goulart avançasse, deixando Éverton Ribeiro como meia central e Dagoberto e Willian pelos lados. Mas Ricardo Goulart, como meia de ofício, tende a deixar a área e se aproximar do meio-campo, se juntando ao trio de meias. E nesta partida ele fez isso muitas vezes. Além disso, Dagoberto e Willian também são ponteiros agudos, que invadem a área para concluir sempre que podem. Somente Éverton Ribeiro ficava mais por trás, pensando o jogo.

Assim, a formação celeste mudou para uma espécie de 4-2-1-3, mas que eu prefiro chamar de um inovador 4-2-4-0 — sim, pois todo o quarteto ofensivo participava da construção na frente da área adversária, sem nenhum homem fixo como referência na frente. rotação de posições provocava várias linhas de passe rápidas e inteligentes que levaram os defensores villanovenses à loucura. Pena que as conclusões não foram lá essas coisas.

Veja o posicionamento do quarteto ofensivo  meias quando o Cruzeiro jogou sem centroavante, e veja o desenrolar desse lance aqui

Veja o posicionamento do quarteto ofensivo meias quando o Cruzeiro jogou sem centroavante, e veja o desenrolar desse lance aqui

“De volta” ao 4-2-3-1

O ritmo arrefeceu um pouco após a entrada de Marlone na vaga de Dagoberto, mas continuava empolgado este blogueiro. Porém, ao ver Júlio Baptista se preparando para entrar no gramado, bateu a frustração, pois era sabido que sua entrada iria “travar” o time. Júlio tem bom passe e boa finalização, mas não se movimenta tanto, e sua entrada faria o time ficar engessado.

Ao invés de ir jogar na meia central, onde sempre entra, deixando Ricardo Goulart como centroavante, para minha surpresa foi o próprio Goulart quem saiu. Éverton Ribeiro ficou “sozinho” na meia central e Júlio foi ser centroavante. Era mais uma tentativa de Marcelo de solucionar a falta de centroavantes no elenco celeste.

A entrada de Júlio teve o efeito de tirar a intensidade de movimentação na frente, e sem o ímpeto o Cruzeiro começou a administrar e relaxou demais, chamou o Villa Nova para seu campo — que àquela altura já não tinha mais nada a perder — e num momento de relaxamento total, Fábio errou a saída de bola e a zaga não conseguiu tirar, gerando novo ataque do Villa que culminou no gol de Mancini, completamente sozinho na frente de Fábio, para fechar o placar.

Uma possível formação, sim senhor

Jogar sem centroavante não é nenhuma novidade — o Barcelona vem fazendo isso há muitos anos. Mas o time catalão é um pouco diferente, no sentido de que sua base em um 4-3-3, com um volante preso (Busquets) e dois passadores (Xavi e Fábregas) no meio, com um “falso 9” (Messi) que recua, faz número no setor e abre espaço para os ponteiros e meias invadirem a área. No caso do Cruzeiro, o sistema de partida foi um 4-2-3-1, com um volante a mais e um meia a menos. Um sistema que, na modestíssima opinião deste escriba, funcionou muito bem.

Mas é difícil imaginar que Marcelo Oliveira vá testar esta formação mais vezes. O mais provável é que Moreno seja mesmo o titular ou Júlio ou Goulart (desta vez mais avançado mesmo) faça as vezes de centroavante. Seria um sopro de novidade tática no Brasil, um país tão carente neste aspecto do futebol — infelizmente, para os brasileiros o aspecto tático é pouco importante, sendo a parte técnica o principal.

De qualquer forma, foi ótimo ver o Cruzeiro relembrando sua melhor forma do ano passado, que trouxe o título nacional inconteste. Uma forma que, como este blog previu no primeiro texto de 2013, resgata a escola de jogo do Cruzeiro, tão tradicional e histórica que tem até um ditado popular.

Que sigamos sendo rápidos e rasteiros — como o ataque do Cruzeiro.



Corinthians 2 x 0 Cruzeiro – Xeque-mate

No jogo de xadrez que a partida contra o Corinthians certamente seria, Celso Roth perdeu para Tite. O treinador corintiano mostrou que, mesmo sem brilho, um time aplicado taticamente consegue controlar o jogo e errar menos para construir a vitória.

Na volta do 4-2-3-1 diagonal, WP e Magrão mal como ponteiros, e Sandro Silva se preocupando somente com Paulinho sem sair para o jogo

Celso Roth “atendeu” aos meus apelos e voltou ao 4-2-3-1 diagonal, mas um pouco diferente dos anteriores: a meta de Fábio foi defendida por Ceará pela direita e Diego Renan pela esquerda, flanqueando Léo e Mateus; estes eram protegidos por Leandro Guerreiro, ligeiramente pela direita, Sandro Silva um pouco mais avançado e mais à esquerda, e William Magrão, fazendo um híbrido de meia e terceiro volante, mais aberto pela direita. Montillo articulava pelo centro caindo pelas pontas, Wellington Paulista caía mais pela esquerda mas ficava mais avançado — daí o “diagonal”.  No centro do ataque, Borges.

Tite mandou um 4-2-3-1 “clássico” a campo, mas sem um centroavante de área, por vezes parecia um 4-2-4-0, devido à intensa movimentação do quarteto ofensivo. O goleiro Cássio viu sua dupla de zaga Chicão e Paulo André formarem a linha defensiva com Alessandro pela direita e Fábio Santos do outro lado. Ralf e Paulinho na dupla volância, o primeiro mais preso, à esquerda, o segundo saindo mais para o jogo, à direita. Jorge Henrique e Romarinho fechavam os lados do campo e Emerson e Danilo alternavam entre o comando do ataque e a criação central.

Quando dois 4-2-3-1 se enfrentam, os duelos naturais são: lateral contra ponteiro nos quatro cantos do campo, dois zagueiros contra um centroavante nas duas áreas e dois trios no meio, normalmente com um volante se ocupando do meia central adversário e o outro volante mais livre. Assim foi: Guerreiro se ocupava com Danilo e Ralf com Montillo: sobravam Sandro Silva e Paulinho. Teoricamente, ambos deveriam sair mais para o jogo, mas o que aconteceu foi que Sandro ficou por conta de marcar as investidas de Paulinho quando o Corinthians tinha a bola. Até funcionou, mas isso deixou o Cruzeiro sem muitas opções de saída, já que os laterais apoiavam pouco, presos pelos ponteiros adversários, e William Magrão marcava mais do que jogava. WP recuava para buscar o jogo mas ficava isolado contra dois ou três corintianos e perdia a bola.

Por isso, até os 20 minutos, o jogo seguiu equilibrado, sem muitas chances de gol para cada lado. Mas havia uma diferença clara: ambos os times marcavam muito, mas enquanto o Cruzeiro era forçado ao erro quando era pressionado, o Corinthians conseguia encaixar uma sequência de passes, fazendo os jogadores cruzeirenses correrem mais atrás da bola do que os adversários. Assim, o Corinthians conseguia impedir as jogadas adversárias forçando o passe ruim ou a devolução da posse, enquanto o Cruzeiro chegava atrasado e fazia mais faltas. Sandro Silva, sem ritmo de jogo, seria amarelado já aos 14 minutos por cometer seguidas infrações consecutivamente.

Este amarelo viria a ser crucial na partida momentos depois. Sandro Silva, em um lance em que tinha a bola controlada e era só clarear para frente, tentou sair jogando, errou o tempo da bola e ela escapou, muito mais para Jorge Henrique, já dentro da área, do que para ele próprio. Assim que ele partiu para tentar dividir a bola, este blogueiro previu o pênalti acontecendo. Carrinho imprudente, pênalti indiscutível. Só não foi pior porque o árbitro da partida, Leandro Vuaden, errou ao não mostrar o segundo amarelo para o jogador.

Chicão converteu o pênalti e pôs o time da casa em vantagem. E se o juiz não expulsou Sandro do jogo quando deveria, foi o próprio técnico Celso Roth quem o fez: “expulsou” o jogador via substituição, temendo o inevitável cartão vermelho, e lançando Fabinho em seu lugar. Com isso, Magrão foi para a esquerda segurar Paulinho e Fabinho foi jogar aberto pela direita, mas como atacante. O Cruzeiro se configurava num 4-2-1-3 ainda no primeiro tempo.

Tite respondeu mudando seus jogadores de posição. Romarinho inverteu para tentar jogar mais avançado às costas de Diego Renan, e Jorge Henrique veio para o lado esquerdo mais recuado, fazendo um 4-2-3-1 diagonal que era quase um losango de meio-campo. A intenção era clara: dominar a posse de bola no meio-campo, fazendo quatro jogadores contra três, e foi isso o que aconteceu. Depois do gol o Cruzeiro passou a ser pressionado em sua própria área, e não conseguia sair dela. Todas as segundas bolas eram dos mandantes, e o segundo gol só não saiu ainda na primeira etapa porque temos Fábio debaixo das traves: o camisa 1 fechou em cima de Romarinho, que tentou encobri-lo ao receber lançamento de Emerson.

Os times voltaram do intervalo sem mudanças. Talvez Celso temesse queimar a segunda substituição ainda no intervalo, o que é um argumento plausível, mas era hora de arriscar. Para a sorte do treinador, Tite desconfiou do poderio de ataque celeste e recuou seu time para jogar em velocidade nos contra-ataques. Os volantes cruzeirenses tiveram mais tempo na bola em algums momentos, com a marcação corintiana variando na pressão alta e no bloco médio. Porém, novamente os passes errados apareceram novamente, e o Corinthians jogava extamente aí: em um lance, a bola já havia sido perdida pelos atacantes da casa, mas ainda estava em disputa. Magrão recuou para Diego Renan, que recuou de primeira para Fábio, sob pressão de Fábio Santos. O goleiro tentou dar um chutão para frente, a bola pegou na mão do lateral corintiano, o juiz nada marcou e ele cruzou para Emerson, sozinho e sem goleiro, furar.

O estreito e cambaleante 4-2-2-2 do fim da partida, com WP e Borges de vez no ataque, Souza tentando passar mas errando e com os laterais apoiando pouco; Fabinho entrou, mas saiu e por isso não está neste diagrama

Celso esperou 15 minutos para tirar Ceará do jogo e lançar Marcelo Oliveira, com Diego Renan indo para a direita. O treinador revelou na entrevista coletiva após o jogo que Ceará havia se contundido. Portanto, substituição nula em termos táticos. Somente aos 25 ele tentaria mudar novamente a partida, com sua última troca: Souza na vaga de Fabinho, que havia entrado no primeiro tempo. O resultado foi um estreito 4-2-2-2, com Borges e WP se transformando em centroavantes de vez e com os flancos teoricamente abertos para os laterais apoiarem, e fazer cruzamentos na área. Mas Tite plantou seus laterais e, com os ponteiros recuando para ajudar na marcação, fazendo dois contra um de cado lado, as chances de cruzamento se tornaram raras. Mesmo quando o jogador conseguia chegar ao fundo para cruzar, errava.

Só aos 38 do segundo tempo é que Tite foi fazer a primeira mudança — sinal de que as coisas iam bem para ele, e mal, muito mal para nós. Edenilson entrou no lugar de Romarinho para fazer um losango no meio: Ralf atrás, Edenilson na direita, Paulinho na esquerda e Danilo à frente, com Emerson e Jorge Henrique no ataque. Foi o movimento final para matar a tentativa de apoio pelos lados do Cruzeiro: com dois atacantes, pelo menos um dos laterais tinha que ficar para fazer a sobra, diminuindo muito o já baixo poderio ofensivo do Cruzeiro. Guerrero, centroavante de ofício peruano, ainda estrearia pelos paulistas no lugar de Emerson, para tentar fazer o pivô e reter a bola no ataque para chegada dos seus companheiros.

O jogo caminhou para seu final melancólico, com o Corinthians dominando as ações e o Cruzeiro já entregue. O gol de Paulinho foi só a ilustração do que aconteceu durante todos os 90 minutos: com facilidade, Jorge Henrique achou Danilo no meio, que tocou de primeira a Paulinho, já partindo para receber e enganando a marcação. Com espaço, encaixou um chute tão rente à trave que Fábio nem foi na bola. O jogo terminou sem a terceira substiuição de Tite.

A impressão que ficou é que o Cruzeiro perdeu a chance de vencer um jogo teoricamente difícil. Afinal, perder para o Corinthians em São Paulo tem que estar nos planos de qualquer clube do Brasil, por isso o jogo de ontem foi uma chance de ouro para ganhar pontos certamente não previstos. Entretanto, o Corinthians, mesmo não jogando todo o seu potencial — assim como o Cruzeiro — conseguiu vencer o Cruzeiro até com certa facilidade. A culpa cai sobre Sandro Silva, claro, mas também sobre Roth, que escalou o volante sem ritmo para atuar desde o início. Se a intenção era parar Paulinho, porque não escalar Marcelo Oliveira ou Magrão? Porque deixar Fabinho no banco, que faz a função de ponteiro muito melhor do que WP ou Magrão? Ou ainda pior: porque escalar WP e Borges no mesmo time num 4-2-3-1? São perguntas difíceis de explicar.

Na última substituição, poderia ter sido melhor lançar Souza no lugar de um dos centroavantes ao invés de sacar Fabinho. Souza entraria centralizado e Montillo poderia jogar aberto, tendo uma única referência no ataque. Acredito que assim o Cruzeiro teria força tanto pelo chão quanto pelo ar. Porém, Celso disse, após o jogo, que precisava de um passador, e eu concordo; mas ao mesmo tempo, optou por deixar dois centroavantes dentro da área para aproveitar uma jogada aérea que nunca aconteceu. Passador e jogadas aéreas — não me parece coerente.

Por fim, deixo as seguintes estatísticas do jogo, de acordo com números da ESPN Brasil, para reflexão: quem mais desarmou foi Jorge Henrique — um ponteiro — 4 vezes; Quem mais finalizou foi Danilo, apenas 2 vezes; e a mais incrível de todas: das 6 finalizações do Cruzeiro, 6 foram erradas.

Isso mesmo. Aproveitamento zero.

Evolução da porcentagem de acerto de finalizações do Cruzeiro: nota zero no último jogo